quinta-feira, 12 de maio de 2016

Angry Birds: O Filme

Assim como muitas pessoas, já gastei uma boa parte do meu tempo diante da diversão proporcionada pelos desafios dos jogos da série Angry Birds, não medindo esforços para conseguir as três estrelas das fases, sendo que cada derrota seria motivo para irritação. Não deixa de ser surpreendente que um jogo tão simples, centrado em usar um estilingue para disparar passarinhos contra porcos sacanas, consiga ser tão envolvente. O que não é surpresa é ver que isso agora é levado ao cinema, algo natural considerando seu sucesso. O filme que acabamos vendo não chega a render a mesma diversão do material original, mas ainda é uma obra aceitável.

Escrito por Jon Vitti, Angry Birds: O Filme nos leva até uma ilha habitada por uma majoritariamente feliz comunidade de pássaros que não sabem voar. Uma das exceções quanto à animação vista ali é o rabugento Red, que após um problema em seu trabalho como animador de festas infantis acaba sendo obrigado a fazer um curso para controlar sua raiva, conhecendo nas aulas o ligeiro Chuck e o sensivelmente explosivo Bomba. Quando a ilha recebe a visita de porcos que dizem querer formar uma boa relação com os habitantes locais, Red é o único a achar tudo muito suspeito, tendo a ajuda de seus novos parceiros para descobrir o que está acontecendo.

Angry Birds apresenta problemas que certamente poderiam fazer sua proposta fracassar amargamente, principalmente no que diz respeito à primeira metade da projeção. Em sua tentativa de desenvolver uma motivação por trás do conceito do jogo, o filme mostra preferência por apostar em uma trama batida e que o roteiro pincela com gags que se revelam bobas na maioria das vezes. Além disso, Red é um protagonista que se esforça tanto para ser antipático que se torna um personagem pouco interessante até para o espectador, o que é uma pena principalmente quando vemos que Chuck e Bomba roubam a cena sempre que aparecem, de forma que a narrativa talvez tivesse muito a ganhar caso pudesse focar apenas neles (graças à dupla, a cena do lago é um dos momentos mais divertidos do filme).

A sorte do filme é que ele melhora à medida que avançamos na história, com os diretores estreantes Clay Kaytis e Fergal Reilly gradualmente conseguindo ditar um timing cômico eficiente e um ritmo mais vívido, detalhe que combina com o próprio visual multicolorido e cheio de energia do universo que é apresentado. E se o início não é dos melhores, os realizadores são hábeis para compensar um pouco isso com o bom terceiro ato, quando o longa finalmente chega no ponto em que queria, assumindo a estrutura simples do jogo que está adaptando e criando uma boa sequência de batalha. É algo feito de maneira convincente, rendendo o ápice da diversão do filme, com o roteiro sabendo aproveitar o conceito do material original e utilizando bem as diferentes habilidades de seus personagens (como ao roubar – ou seria referenciar? – a famosa sequência protagonizada por Mercúrio em X-Men: Dias de um Futuro Esquecido).

Mesmo gostando dos jogos, não sei até onde Angry Birds tinha potencial para render uma obra de qualidade no cinema. Mas o que se vê nesta animação é um trabalho razoável e inofensivo. Se não é um grande filme, vale de dizer que ainda fica longe de ser um embaraço como várias outras adaptações de jogos.

Obs.: Há uma cena durante os créditos finais.

Nota:


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