(Crítica originalmente publicada no Papo de Cinema)
Mesmo não sendo um herói tão
celebrado quanto outros que temos por aí, o caçador de vampiros Blade conseguiu
provar com seu primeiro filme, lançado em 1998, sua capacidade para render
obras eficientes, próximas de um teor mais adulto. De certa forma, esse êxito serviu
como um pontapé inicial para que vários quadrinhos da Marvel fossem levados ao
cinema. Tal capacidade voltou com força nesta continuação, Blade II, que se revela melhor e até mais divertida que seu
antecessor.
Escrito por David S. Goyer e
dirigido por ninguém menos do que o grande Guillermo del Toro, em sua segunda
produção em Hollywood, Blade II traz
Blade (novamente interpretado por Wesley Snipes) tendo que enfrentar um novo e
mais poderoso tipo de vampiro, denominado “Reaper”, e que começa a mostrar sua
força através de Nomak (Luke Goss). No entanto, este está atacando os vampiros
comuns, o que obriga o Conselho das Sombras liderado por Damaskinos (Thomas
Kretschmann, irreconhecível graças à maquiagem) a propor uma trégua ao caçador.
Após reencontrar seu parceiro Whistler (Kris Kristofferson), que não morreu
como havia sido indicado no longa anterior, Blade então passa a ajudar seus
inimigos nos esforços para eliminar uma ameaça ainda maior.
Mesmo lidando com uma continuação
e, portanto, precisando manter-se fiel ao universo apresentado anteriormente,
Guillermo del Toro consegue impor o apuro visual que tanto marca seus
trabalhos. Seja na maquiagem que compõe os monstruosos Reapers, no uso de cores
mais quentes, que ajudam no tom macabro de determinados cenários, ou em uma
breve cena em que vemos o corpo de um vampiro se desfazer gradualmente diante
da luz do sol, o aspecto puramente estético de Blade II é muito forte dentro da narrativa. Além disso, ainda que
em certos momentos o uso de computação gráfica fique muito óbvio, com bonecos
digitais substituindo os atores em cena, o diretor cria sequências de ação
ágeis e muito bem coreografadas, sabendo aproveitar as habilidades de seus
personagens, principalmente o protagonista. Aqui vale destacar cenas como
àquela que coloca Blade enfrentando vampiros na Europa, o grande embate entre o
herói e dezenas de inimigos e a batalha final, que se mostra infinitamente
melhor do que a do primeiro filme, até por ter um vilão mais ameaçador.
Se o roteiro aposta em
reviravoltas não tão interessantes e recicla ideias vistas no longa anterior
(como quando Blade precisa de sangue), ao menos merece créditos pela forma como
trata o protagonista e sua relação com os inimigos. Nesse sentido, é curioso
notar que, apesar de passar a vida caçando vampiros, Blade é capaz de mostrar
preocupação com um deles (mais especificamente Nyssa, interpretada por Leonor
Varela), revelando uma faceta que contribui para desenvolver sua humanidade,
além de descartar uma visão unidimensional com relação às criaturas. Aliás,
exatamente por conta de Blade ser um homem que não pensaria duas vezes antes de
colocar uma bala de prata na cabeça de um vampiro, a parceria dele com os
membros do Conselho das Sombras acaba tendo uma tensão natural e interessante, em especial no que diz respeito à Reinhardt (Ron Perlman,
parceiro frequente de Guillermo del Toro), com quem o herói tem uma divertida
birra.
Contando com uma bela atuação de
Wesley Snipes no centro da narrativa (o ator encarna o herói com segurança
absoluta), Blade II não deixa de ser
um trabalho um tanto subestimado, não sendo tão lembrado quanto outras adaptações
de quadrinhos. Lançado meses depois de Homem-Aranha
estabelecer de vez os filmes de super-heróis como algo popular, o longa em nada
deixou a desejar frente ao sucesso do “cabeça de teia”, se apresentando como um
entretenimento de qualidade e uma agradável surpresa.
Nota:
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