quinta-feira, 3 de setembro de 2015

O Agente da U.N.C.L.E.

Kingsman, A Espiã Que Sabia de Menos, Missão Impossível 5. Não importa o gênero dos projetos, 2015 tem sido um belo ano para os espiões do cinema, rendendo produções que mantêm o público muito bem entretido e até empolgado com as missões de seus agentes. E para se juntar a este ótimo grupo temos agora O Agente da U.N.C.L.E., novo filme de Guy Ritchie que, assim como a franquia liderada por Tom Cruise, adapta uma série de TV da década de 1960, conseguindo bons resultados, principalmente, graças à dinâmica entre seus personagens.

Diferente do que ocorre em Missão Impossível e até mesmo em Agente 86, O Agente da U.N.C.L.E. não é uma adaptação moderna de seu material de origem, situando a trama na década de 1960. Nisso, somos apresentados ao agente da CIA Napoleon Solo (Henry Cavill), que ajuda a jovem Gaby Teller (Alicia Vikander) a fugir para a Alemanha Ocidental, mesmo com o agente da KGB Illya Kuryakin (Armie Hammer) em seu encalço. Mas logo depois os dois homens se veem obrigados a trabalhar juntos em uma missão, tendo a ajuda de Gaby para localizar e tentar impedir que o pai dela construa uma bomba atômica para o casal Victoria e Alexander Vinciguerra (Elizabeth Debicki e Luca Calvani, respectivamente). Só que lidar com suas diferenças é tão difícil para a dupla quanto a missão em si.

São nessas diferenças entre os personagens que reside boa parte da diversão do filme, e o fato de eles serem um americano e um russo em plena Guerra Fria é uma parte essencial disso. Vividos com carisma por Henry Cavill e Armie Hammer, Solo e Kuryakin mostram ser inteligentes e eficientes naquilo que fazem, mas é curioso como suas nacionalidades contribuem para que eles tenham um relacionamento birrento muito divertido, seja pela posição dos países no quadro mundial da época, algo que faz um tentar provar que é melhor que o outro, ou como as experiências deles os definiram como indivíduos. Se Cavill encarna Solo como um homem sedutor e que mantém a calma até nas piores situações, Hammer faz de Kuryakin alguém mais explosivo e que quase sempre precisa conter isso em suas ações. Já a Gaby da ótima Alicia Vikander (que depois da brilhante aparição em Ex Machina continua seu caminho rumo ao estrelato que merece) é muito mais do que um interesse amoroso ou um mero equilíbrio entre os dois homens, sendo uma mulher forte e tão inteligente quanto eles, o que apenas torna mais cativante a dinâmica entre todos.

Enquanto isso, Guy Ritchie resgata o charme dos filmes de espionagem sessentistas, aspecto no qual ele ganha o auxílio do design de produção de Oliver Scholl e da fotografia de John Mathieson. Ao mesmo tempo, Ritchie conduz com eficiência uma narrativa ágil, onde as cenas de ação prendem a atenção e conseguem divertir, como na sequência inicial envolvendo a fuga de Gaby e a outra com a invasão a um estaleiro cujo nível de segurança faria a vida de Ethan Hunt ser bem fácil. Aliás, um detalhe notável é como o roteiro, por vezes, dá aos personagens tarefas que combinam com suas personalidades. Dessa forma, se numa hora estamos em uma situação mais ou menos tranquila com Solo, na seguinte podemos ir à pura tensão com Kuryakin.

Caindo um pouco no terceiro ato, quando resolve mastigar demais a trama para o espectador, além de não escapar muito da obviedade, O Agente da U.N.C.L.E. ainda assim se revela uma grata surpresa. E, considerando que o filme termina com um pequeno gancho, acho que rever esses personagens em outras missões poderia ser interessante.

Nota:


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