quinta-feira, 29 de novembro de 2012

A Origem dos Guardiões

A Origem dos Guardiões é a versão infantil de Os Vingadores. Se um dos maiores sucessos de 2012 era centrado no grupo formado por alguns dos principais super-heróis da Marvel Comics, essa nova animação da Dreamworks (responsável por Shrek, Kung Fu Panda, Como Treinar o Seu Dragão, entre outros) se concentra na reunião de um grupo composto por figuras cuja existência faz parte do imaginário de qualquer um que teve infância. O resultado dessa reunião é uma animação muito interessante e divertida, que encanta graças aos seus personagens.
Escrito por David Lindsay-Abaire, baseado no livro de William Joyce, A Origem dos Guardiões apresenta o grupo formado por Coelhão (voz original de Hugh Jackman), Fada do Dente (Isla Fisher), Sandman e o líder Norte (Alec Baldwin), também conhecido como Papai Noel. Depois que Breu (Jude Law), o Bicho-Papão, começa a amedrontar todas as crianças do mundo, com o objetivo de fazê-las parar de acreditar na existência de seres tão extraordinários, os guardiões ganham a ajuda de Jack Frost (Chris Pine) para tentar impedir que o vilão os deixem sem poderes e ainda estrague os sonhos dos pequenos.
Dirigido por Peter Mayhem, A Origem dos Guardiões chama a atenção logo de cara quanto ao visual dos personagens, que toma uma liberdade muito interessante com relação à imagem que eles têm em nosso imaginário. Norte, por exemplo, é grande, barrigudo e barbudo, mas também tem tatuagens em seus braços, “Mal” no direito e “Bom” no esquerdo, o que já o apresenta como uma pessoa bondosa, mas que também pode ser um forte lutador quando preciso, enquanto que o Coelhão aparece com dois bumerangues e lembrando quase que imediatamente um guerreiro nato.
Não deixa de ser curioso também ver que o diretor tenta deixar mais ou menos claro de onde os personagens eram antes de se tornarem guardiões. Enquanto Norte é claramente russo, Sandman poderia ser um monge asiático, ao passo que o Coelhão é australiano (o que fica óbvio até por ele utilizar bumerangues como armas) e a Fada do Dente pode ter saído do Brasil, tendo um visual exótico que exibe até mesmo as cores azul, verde e amarela. E se o visual dos personagens impressiona, o mesmo pode ser dito sobre o ótimo trabalho do design de produção, que cria brilhantemente o universo em que a história se passa, captando muito bem a essência dos personagens nos locais onde eles residem, desde o belo reino das fadas da Fada do Dente até o esconderijo sombrio e vazio de Breu.
Ao longo do filme, o roteiro dá a impressão de que estica um pouco a história além do necessário, incluindo algumas subtramas que a princípio parecem não acrescentar muita coisa ao filme, como quando uma menina vai parar na toca do Coelhão. Mas David Lindsay-Abaire surpreende ao não deixar que isso atrapalhe o filme, encaixando elas muito bem a trama principal, e é admirável ver que ele faz isso sem perder o foco da história que o filme realmente está contando. Já o lado mais descontraído do filme também é bem desenvolvido, seja utilizando os poderes dos personagens (como na cena em que o menino Jamie tem uma pequena aventura no trenó graças a Jack Frost) ou os duendes que trabalham para Norte, que até lembram muito os Minions de Meu Malvado Favorito, algo que me fez pensar se as animações andam precisando de criaturas pequenas e engraçadinhas para fazer rir.
Peter Mayhem faz um bom trabalho durante a maior parte do tempo. O diretor dá atenção a certos detalhes que acabam fazendo de A Origem dos Guardiões uma animação irrepreensível do ponto de vista técnico. É admirável ver, por exemplo, a fluidez com a qual a barba de Norte se move com o sopro do vento. Além disso, apesar de usar rápidos movimentos de câmera em vários momentos, Mayhem consegue deixar a ação e a geografia das cenas de ação compreensível. No entanto, é uma pena que elas se mostrem tão burocráticas durante a maior parte do filme, se concentrando apenas no uso dos poderes dos personagens, o que acaba se tornando repetitivo depois de algum tempo.
Mas a grande força do filme reside em seus personagens e na química que eles têm entre si. Simpáticos do início ao fim, os guardiões são os principais motivos do porquê de a história do filme ser tão interessante e envolvente, mesmo incluindo o detalhe de que eles vão perdendo os poderes à medida que as crianças param de acreditar neles, algo que a versão live-action de Peter Pan chegou a utilizar. E é bom ver que o roteiro encontra espaço para desenvolver todos eles, mesmo estabelecendo Jack Frost como o protagonista da história. Dessa forma, trágicos acontecimentos que ocorrem ao longo do filme são impactantes, a ponto de fazer com que nos importemos com o destino de todos eles, o que fica ainda mais intenso pelo fato de Breu ser um vilão bastante ameaçador (é até uma pena que seu final não faça jus a todo o perigo que ele representou).
Esse ano não vem sendo muito bom para as principais animações que estão sendo lançadas. Nem Tim Burton ou a Pixar conseguiram mostrar todo seu talento. Mas A Origem dos Guardiões surpreende e acaba sendo mais uma das poucas obras de destaque no gênero em 2012.
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