quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Dezesseis Luas

Quando chega o inevitável fim de franquias baseadas em séries de livros infanto-juvenis de sucesso, é preciso encontrar outra que chame a atenção e continue enchendo o bolso dos estúdios (Jogos Vorazes surgiu dessa maneira, e foi uma grata surpresa). Por envolver um romance em meio a um universo sobrenatural, é impossível não comparar Dezesseis Luas a Crepúsculo, e não é nenhuma surpresa ver que ele está sendo recebido como o substituto dessa franquia. Comandada por Richard LaGravenese (responsável pelo bom Escritores da Liberdade), esta adaptação pode até não ser um grande entretenimento, mas ao menos se mostra interessante o bastante para não resultar em uma tragédia de filme.
Escrito pelo próprio diretor, baseado no primeiro livro da série “The Caster Chronicles” concebida por Kami Garcia e Margaret Stohl, Dezesseis Luas nos apresenta ao jovem Ethan Wate (Alden Ehrenreich), que mora na pequena cidade de Gatlin. Sua vida por ali é tranquila até a chegada da misteriosa Lena Duchannes (Alice Englert), que é mal recebida na escola (onde existem algumas das criaturas mais insuportáveis que deram as caras nos cinemas recentemente) por ser membro da família Ravenwood, cujos membros são tratados pela população como adoradores do diabo. Na verdade, ela e seus familiares são bruxos, ou Conjuradores, como preferem ser chamados. Mesmo assim, ela e Ethan se apaixonam, indo contra os desejos da família dela, principalmente de seu tio, Macon (Jeremy Irons). Mas a garota está prestes a completar 16 anos, fase em que um Conjurador pode ir para o lado da Luz ou das Trevas, e o casal passa a fazer de tudo para que o pior não aconteça.
O romance em Dezesseis Luas é quase igual ao que é visto em Crepúsculo, apenas invertendo algumas coisas. Agora é um rapaz comum que se apaixona por uma garota com poderes, conhece seus parentes e insiste em ficar com sua amada mesmo contrariando a todos. Dito isso, esse novo filme ganha pontos pelo fato de contar com uma dupla carismática como protagonista. Alden Ehrenreich e Alice Englert não deixam de ser uma pequena surpresa, criando uma boa química para Ethan e Lena e mostrando um senso de humor curioso em determinadas cenas, o que é algo bem-vindo. Mas é cansativo ver os parentes da garota falando que o relacionamento entre ela e Ethan pode colocar ambos em perigo (um obstáculo para justificar o amor proibido), até por que ninguém chega a se esforçar para separá-los. Mesmo assim, os protagonistas são simpáticos o suficiente para impedir que a história fique realmente chata de se acompanhar.
Ao mesmo tempo em que desenvolve o romance de Ethan e Lena, Richard LaGravenese também tenta apresentar o universo em que o filme se passa, e nesse quesito ele acaba recheando a narrativa com diversos diálogos explicativos, o que estabelece certas regras da história. Isso se torna um problema apenas quando o diretor-roteirista inclui momentos em que parece duvidar da capacidade do espectador de acompanhar a trama, como quando Ethan claramente quebra um feitiço e Macon sente a necessidade de falar “Como ele quebrou o feitiço? Ele não tem poder algum!”. Mas de modo geral o cineasta conduz bem a narrativa, além de desenvolver com eficiência as subtramas atreladas a história, como aquela envolvendo um amuleto. No entanto, é uma pena que algumas cenas mais elaboradas não tenham tensão e não cheguem a empolgar, como quando Lena quebra as janelas de sua sala de aula ou a cena de um jantar envolvendo Ridley Duchannes (Emmy Rossum), a prima da protagonista.
Se os jovens que interpretam o casal principal se saem bem, o resto do elenco também tem alguns destaques entre seus nomes conhecidos. Viola Davis interpreta a vidente Amma, bibliotecária e amiga de Ethan e sua família, como alguém que aspira confiança sempre que surge em cena, ao passo que o grande Jeremy Irons merece créditos por fazer de Macon um personagem respeitável já em sua primeira aparição, e o fato de ele estar tentando impedir que sua sobrinha vá para o lado da Luz o torna uma figura intrigante, sendo ele um Conjurador das Trevas. Enquanto isso, Emma Thompson se entrega ao overacting para fazer de Serafine uma típica bruxa má (com direito a risadas e tudo o mais) e Emmy Rossum surge desinteressante sempre que aparece como Ridley.
Mesmo não sendo ruim, Dezesseis Luas também não chega a ser uma obra memorável. Deveria ser o primeiro filme de uma série de quatro livros, mas talvez as outras partes nem cheguem aos cinemas, tendo em vista seu fraco desempenho nas bilheterias americanas. Mas pelo menos neste filme a história fica bem resolvida, sem grandes ganchos para serem ligados futuramente.
Cotação:

2 comentários:

Luciana Curvello disse...

Olá,
Adoro ler livros e aprecio muito filme, principalmente aqueles que se inspiraram em alguma obra literária. Parabéns pelo blog. Muito bom.
Estou te seguindo e te convido a me fazer uma visita e se você gostar me siga também.
Bjos
Lu
http://vergostarler.blogspot.com.br/

Márcio Sallem disse...

A comparação com Crepúsculo é inevitável e, desconfio, desejável por parte do marketing do filme. Agora a história ficaria melhor resolvida se Ethan realmente saísse da cidade e concretizasse o sonho confessado no princípio (e não viesse com o cafona grito "Leeeeena!" no fim).