domingo, 11 de dezembro de 2011

Gato de Botas

Uma das melhores coisas que saíram da franquia Shrek foi a nova visão sobre o Gato de Botas. Criado no final do século 17 por Charles Perrault, o personagem usava de sua malandragem para fazer de seu mestre alguém importante. A versão mostrada nos filmes do ogro, claramente baseada no Zorro (que seu dublador Antonio Banderas interpretou em dois filmes), mostrava um Gato de Botas que mantinha suas qualidades originais e ainda era carismático e divertido. E como os estúdios adoram explorar até o último fio de cabelo de suas franquias, é lógico que um filme protagonizado por ele era uma questão de tempo. O resultado é uma produção que diverte, apesar de ter alguns problemas.
Escrito por David H. Steinberg, Tom Wheeler e Jon Zack, e com argumento de Will Davies e Brian Lynch, Gato de Botas se passa antes de o personagem-título conhecer Shrek, Burro e toda a turma. Ele é um fora-da-lei que quer limpar seu nome depois que seu companheiro, o ovo Humpty Dumpty (Zach Galifianakis), o envolveu em um roubo a banco. Quando sabe do paradeiro de três feijões mágicos (sim, aqueles da história de João e o Pé de Feijão), ele parte em uma aventura para roubá-las do casal de criminosos Jack e Jill (Billy Bob Thornton e Amy Sedaris, respectivamente). No meio do objetivo ele conhece Kitty Pata-Mansa (Salma Hayek), que o faz se encontrar mais uma vez com Humpty Dumpty, que propõe que os três corram atrás dos feijões juntos. Mesmo em dúvida quanto aos objetivos de Humpty, Gato aceita a proposta.
O filme é interessante por mostrar como era o Gato de Botas antes de ele se encontrar com Shrek e os outros personagens. Nos filmes do ogro, víamos Gato apenas como um dos divertidos parceiros de aventuras do protagonista. Em Gato de Botas, ele tem sua própria vida e, portanto, é mais desenvolvido. É curioso ver que ele é bem seletivo quanto a quem ele vai roubar. Quando falam que ele poderia roubar uma igreja ou um orfanato, ele responde imediatamente que não rouba esses tipos de lugar, aceitando a oferta seguinte: roubar Jack e Jill, o que mostra que seus alvos são apenas os criminosos. Além disso, Gato mostra que acredita na bondade das pessoas ao seu redor (“Sempre soube que você tinha um coração de ouro”), o que explica o porquê de ele, mesmo contrariado, aceitar se juntar mais uma vez com Humpty Dumpty.
E já que chegamos a Humpty, este é um personagem que o roteiro logo coloca como um dos vilões do filme. Sendo extremamente ganancioso, Humpty é o culpado de o Gato ser um foragido. Mesmo quando ele mostra ser alguém de confiança, é impossível não ficar com os dois pés atrás. Por causa disso, quando o roteiro tenta fazer uma reviravolta, esta se torna decepcionante por ser algo bastante previsível.
As gags do filme, de modo geral, funcionam bem, sendo que as melhores ficam para o protagonista. O Gato de Botas pode ser um personagem que maneja uma espada como ninguém, além de ter habilidades dignas de um grande espião. Mas antes de tudo isso, ele é um gato. Sendo assim, é divertido (e inesperado) que ele beba leite do modo como os gatos devem beber ou interrompa o que está fazendo apenas para caçar um brilho de luz. E, é claro, que não poderia faltar seu olhar de “por favor, sinta pena de mim”, que é simplesmente hipnotizante. Por outro lado, outras gags são muito repetitivas. Os melhores exemplos disso são um famoso personagem de conto de fadas que fica dormindo e acordando durante uma conversa com Gato e um gatinho que solta uma espécie de comentário ao ver que um desafiante do protagonista é, na verdade, uma desafiante. São coisas engraçadas no início, mas quando repetidas se tornam bastante forçadas.
As cenas de ação são bem feitas pelo diretor Chris Miller. Na verdade, algumas parecem ser inspiradas nos filmes do Zorro, como aquela em que Gato de Botas, Kitty e Humpty tentam roubar os feijões na carruagem que está levando Jack e Jill. Além disso, o diretor envolve o filme com a bela trilha sonora composta por Henry Jackman, que com toques de flamenco combina muito bem com a personalidade do protagonista. Por outro lado, para desenvolver a história e os personagens, Miller faz com que eles próprios expliquem um pouco o que aconteceu em suas vidas, até mesmo utilizando flashback, algo um pouco longo demais e entediante, mas não deixa de ser divertido ver Kitty dormindo depois da explicação do Gato de Botas.
Mas um grande problema no filme é o fato de ele não conseguir direcionar o personagem para aquilo que vimos em Shrek 2. Quando apareceu pela primeira vez na franquia, o Gato de Botas era uma caçador de recompensas que aceitou matar Shrek em troca de uma quantia em dinheiro. Não se vê nada dessa personalidade neste spin-off. Em Gato de Botas, o personagem aparece como uma boa figura que, como foi dito anteriormente, não rouba pessoas que não merecem. Ele nem chega a mostrar ter coragem para matar alguém.
É claro que este problema poderia ser só mais uma desculpa para fazer um Gato de Botas 2, mas seria muito melhor ver a história do “antes de Shrek” acabar. Se o plano dos produtores for mesmo fazer uma franquia especial para o personagem, que façam mostrando como sua vida ficou depois das aventuras com Shrek. Isso pode render histórias interessantes, além de desligar o Gato de Botas da franquia que o trouxe às telonas do modo como o conhecemos agora.
Cotação:

Um comentário:

Simone Schuck disse...

Sério, eu AMEI esse filme hahahaha deve ser porque eu sou mulherzinha e não entendo de cinema, logo não ligo pra esses detalhes de "tem que ter a ver com o filme de origem".

Eu simplesmente não consigo tirar da cabeça o Gato de Botas bebê miando e o gato que faz "oooh" hahahaha

Beijos