terça-feira, 20 de setembro de 2011

Conan: O Bárbaro

Em 1982, Conan: O Bárbaro estreou e lançou ao estrelato seu protagonista, Arnold Schwarzenegger. Não vi nem este filme e nem sua continuação, Conan: O Destruidor, de 1984, mas acho que não devem ser pior do que este nova produção dirigida por Marcus Nispel (o mesmo das pavorosas refilmagens de O Massacre da Serra Elétrica e Sexta- Feira 13). Com uma direção terrível, história desinteressante e um protagonista insosso, o novo Conan: O Bárbaro consegue ser um desastre.
Escrito por Thomas Dean Donnelly, Joshua Oppenheimer e Sean Hood, baseado no personagem criado por Robert E. Howard, Conan: O Bárbaro mostra o personagem-título (interpretado por Jason Momoa) em busca de vingança, depois de ver Khalar Zym (Stephen Lang) e seus capangas destruírem sua aldeia e matar seu pai, Corin (Ron Perlman). Ao saber do paradeiro de um dos capangas, Conan vê a chance perfeita para realizar a tarefa.
O prólogo, que mostra o nascimento de Conan em plena guerra, já faz o filme começar desastrosamente. É impressionante ver uma grávida lutando contra vários soldados enquanto seu bebê está quase nascendo. Mais impressionante ainda é ver que os soldados param de atacá-la quando Corin resolve fazer o parto ali mesmo. O pior é ver esse prólogo ser finalizado copiando O Rei Leão.
A fraca direção de Marcus Nispel é algo que se percebe nas cenas de ação. O alemão simplesmente não consegue fazer a câmera parar um segundo sequer, tornando as cenas quase incompreensíveis. Para piorar, o diretor abusa nos cortes rápidos e planos que duram apenas um segundo em cena. Além disso, o diretor exagera demais no sangue. Quando um personagem bate em uma pedra ou leva um corte, dez litros de sangue saem imediatamente, algo que faz o próprio Conan ser pior que o Jason Vorhees da recente refilmagem. Para completar, Nispel consegue desperdiçar a bela voz de Morgan Freeman, usando-a em uma narração em off. Ao invés de usar a técnica apenas na historinha contada na abertura do filme, o diretor a insere no momento em que Conan se torna adulto, algo que não só é desnecessário, mas que faz o filme parecer um conto de livro infantil. Logo depois disso, Nispel abandona a narração, o que me faz pensar: o que fez um grande ator como Morgan Freeman aceitar fazer esse papel?
O roteiro trata Conan como um psicopata desde sua infância (pensei, em certo momento, que estava assistindo a um slasher movie). Mais estranho ainda é o fato de Conan aparentar ser uma criança normal, apenas para depois aparecer matando brutalmente todos os capangas que surgem em sua frente. E o fato Conan precisar lembrar seus inimigos quem ele é acaba sendo tedioso de se ver, já que o personagem fala apenas frases de efeito batidas como “Sou aquele que vai seguir você até o inferno!”.
Geralmente, para um filme funcionar, é preciso um bom protagonista. Para o azar de Conan: O Bárbaro, não é isso que se vê em Jason Momoa. Durante as quase duas horas de projeção, Momoa parece com expressão e olhar sérios, como se tivesse medo que uma cara mais amigável fizesse os espectadores duvidarem da masculinidade do personagem. Rachel Nichols parece uma mocinha de filmes de terror, gritando sempre que acha apropriado. Stephen Lang consegue mostrar que seu vilão é muito mais ganancioso do que ameaçador (algo que deve ser colocado na conta do roteiro), enquanto que Ron Perlman e Rose McGowan pouco tem a fazer com seus personagens. Aliás, Mcgowan interpreta uma versão feminina de Freddy Krueger (outro motivo para eu ter pensado estar assistindo a um slasher movie).
Além de tudo isso, Conan: O Bárbaro é chato. Nem mesmo o 3D funciona, já que, de modo geral, a fotografia é escura demais. Apesar de ter menos de duas horas de duração, é um tempo que demora para passar. Infelizmente, este é um tempo da minha vida que nunca vou recuperar.
Cotação:

Um comentário:

marcelo rodrigues disse...

tudo em conan é ruim, fotografia, escala de planos, enredo , elenco e direção. A única pessoa que se saí razoavelmente bem é a Rose Mcgowan , se bem que ela bem que poderia ter esperado Red Sonja sair do papel em vez de se meter nesta roubada.