quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Uma Noite no Museu 3: O Segredo da Tumba

Uma Noite no Museu é uma franquia que basicamente tenta se sustentar em sua premissa curiosa e em seus efeitos visuais. No entanto, se isso funcionou razoavelmente bem no primeiro filme, que serviu como um passatempo aceitável e ainda tinha a seu favor um ar de novidade, o mesmo não pode ser dito sobre sua continuação, que pouco fez graça. Compreensivelmente, a série foi meio que esquecida com o passar do tempo, mas mesmo assim alguém acha que ela ainda pode render uns trocados. É o que nos traz a este Uma Noite no Museu 3: O Segredo da Tumba, já que em termos de qualidade esse novo exemplar não melhora em nada a situação da franquia.

Escrito por David Guion e Michael Handelman, a partir do argumento que eles conceberam com Mark Friedman, Uma Noite no Museu 3 traz Larry Daley (Ben Stiller) dessa vez se deparando com uma espécie de corrosão na placa de Ahkmenrah (Rami Malek), que dá vida a todas as figuras de cera do Museu de História Natural. Como consequência, eles agem de maneira estranha ou simplesmente voltam ao seu estado original. Para resolver o problema, Larry e seu filho, Nick (Skyler Gisondo), acompanhados pelo Presidente Rooselvelt (o saudoso Robin Williams), Jedediah (Owen Wilson), Octavius (Steve Coogan) e outros amigos, vão até o Museu Britânico em Londres visitar Merenkahre e Shepseheret (Ben Kingsley e Anjali Jay, respectivamente), os pais de Ahkmenrah, na esperança de que eles saibam o que está acontecendo. Mas a tarefa se revela mais complicada do que o esperado quando as exposições locais mostram não estar acostumadas a ganhar vida.

Apesar de levar seu universo até a Europa, Uma Noite no Museu 3 não chega a seguir a regra de que a cada novo filme a escala da produção deve aumentar um pouco mais, e a história até que explora pouca coisa com sua premissa. Não há aqui a tonelada de personagens novos que apareceram no segundo filme, com o roteiro se limitando a um Sir Lancelot (Dan Stevens) que acredita ser real, lembrando o velho complexo de Buzz Lightyear, além de inserir perigos como um esqueleto de triceratops e uma estátua de Xiangliu. No entanto, esses poucos elementos não chegam a empolgar ou ter graça, considerando que tudo fica à mercê de uma história desinteressante, enrolada e previsível, conduzida sem criatividade alguma por Shawn Levy, que perde tempo até mesmo com uma subtrama conflituosa batida de pai e filho entre Larry e Nick. Levy, inclusive, prova sua falta de imaginação na condução da narrativa ao repetir uma gag que já havia usado nos dois longas anteriores, brincando com a pequenez de Jedediah e Octavius ao cortar para um calmo plano geral enquanto eles estão passando por uma situação “grandiosa”.

Não que Uma Noite no Museu 3 não cause risadas. O modo como Jedediah e Octavius (de novo eles) fazem comentários no YouTube rende a cena mais divertida do filme, sem falar que ainda temos uma participação especial no mínimo curiosa de um certo ator famoso. Mas momentos como esses são poucos ao longo da projeção, ficando até um tanto apagados diante das bobagens que acompanhamos na maior parte do tempo. E isso é uma pena, principalmente, porque o elenco é repleto de atores conhecidos por seu talento para a comédia e que certamente poderiam ser melhor aproveitados, desde Ben Stiller até Robin Williams, passando por Owen Wilson, Steve Coogan, Ricky Gervais e até Rebel Wilson, que aparece interpretando a guarda noturna do Museu Britânico.

“O fim chegará”, diz certo personagem logo no início do filme. Considerando o desperdício de talento e pouca diversão vistos neste terceiro capítulo, é melhor que o fim realmente tenha chegado para a série Uma Noite no Museu. Até porque o suco já foi espremido por completo e aqui começam a aproveitar (sem sucesso) os bagaços.

Nota:

Um comentário:

Leonardo Jr disse...

Concordo contigo em alguns aspectos... algumas gags sao repetidas e alguns diálogos matação de tempo também. Gostei de como puxaram o enredo pra construir um terceiro filme e a novidade está na animação do planetário (o 2 tinha os quadros, por exemplo).
A cena de luta dentro do quadro é extremamente boa, mas claro que a traminha agua com açúcar de pai e filho foi zzzz...
Quanto ao filme perder o pique, eu discordo, pois acho que a facilidade em que o Larry tem em lidar com as coisas no segundo filme fazem com que ele seja mais dinâmico que o anterior. O segundo ainda é o melhor da trilogia na minha opinião.
Mas ó: parabéns pela crítica. Apesar de não concordarmos em alguns aspectos, teus textos são muito bons, sempre.