quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Melancolia

(A crítica a seguir aborda pontos importantes de Melancolia. Portanto, recomendo que assista ao filme antes de ler o texto.)
Duas horas. Esse foi o tempo que levei para “sair” psicologicamente de Melancolia, novo trabalho do polêmico cineasta Lars von Trier. Isso porque o filme é carregado de imagens impactantes e faz refletir tanto que, ao final da sessão, eu me vi de boca aberta (e foi dificílimo levantar da cadeira do cinema).
Melancolia começa com um prólogo formado por belíssimas imagens em super câmera lenta, onde von Trier nos informa que existe um planeta, chamado melancolia, que está em rota de colisão com a Terra. Depois, o diretor divide o filme em duas partes. A primeira é intitulada Justine, nome da personagem de Kirsten Dunst, e mostra o casamento dela com Michael (Alexander Skarsgård) e o início de sua depressão. A segunda parte é intitulada Claire, nome da irmã de Justine interpretada por Charlotte Gainsbourg, e mostra o Melancolia se aproximando da Terra.
O fato de von Trier dividir o filme em duas partes é interessante porque cada uma tem um tom diferente. A primeira é mais leve, apesar dos conflitos que aparecem. Já a segunda é mais próxima de um filme catástrofe. E a belíssima fotografia de Manuel Alberto Claro ajuda muito nessa diferenciação, sendo mais natural no início para depois mudar para algo mais claro e sufocante. É como se o diretor dedicasse toda a primeira parte afim de nos preparar para o que está por vir.
Outro ponto interessante do filme é o fato de Lars von Trier chamar Kiefer Sutherland para interpretar John, marido de Claire e admirador da astrologia. Com isso, o diretor pode estar querendo dizer que se Jack Bauer não pode salvar o mundo, então ninguém pode. E John falar “inacreditável” várias vezes ao longo do filme reflete seu pensamento, já que ele não acredita que o Melancolia irá colidir com a Terra.
Mas, afinal, sobre o que Melancolia se trata? É sobre a depressão de Justine ou é sobre o fim do mundo? Para mim, tudo pode ser definido pela palavra que dá nome ao filme. Justine sofre de melancolia, e isso a deixa em um estado muito debilitado (e Kirsten Dunst mostra isso de maneira excepcional, sendo uma forte candidata ao Oscar). Para uma pessoa nesse estado, nada pode fazê-la mudar de humor (em certo momento, Claire faz a comida favorita de Justine, mas não adianta nada), sendo a morte a melhor alternativa para acabar com o sofrimento.
Se prestarmos atenção em Justine, depois de entrar em depressão, ela só volta a andar e a falar mais normalmente depois de se deitar sob a luz do Melancolia. Isso marca o momento em que ela percebe que o fim está próximo, então não há mais com o que se preocupar. Quando o Melancolia finalmente colide com a Terra, Lars von Trier está fazendo uma metáfora sobre o que acontece com uma pessoa em um estado tão grave de depressão.
Melancolia é um filme muito bem-vindo, já que proporciona discussões e pontos de vista muito interessantes. É cedo ainda, mas acho que Lars von Trier encaminhou muito bem seu filme para o status de obra-prima.
Cotação:

Um comentário:

YURI CELICO (@yuriclc) disse...

Realmente o filme é maravilhoso!
Gostei da tua vis
ao sobre o filme que acaba sendo bem diferente da minha(http://classedecinema.blogspot.com/2011/08/melancolia.html) , e isso é que é legal no filme! gera vários pontos de vista sobre o mesmo! XD