segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Cada Um Tem a Gêmea Que Merece

Adam Sandler já teve dias bons nos cinemas. Em toda a sua carreira, são poucos os filmes que merecem destaque. Nisso, cito como exemplos Como Se Fosse a Primeira Vez, Click, e Embriagado de Amor. Mas de modo geral, a filmografia de Sandler é composta por filmes fracos, sendo que alguns alcançam o status de grandes porcarias, como Little Nick: Um Diabo Diferente, Zohan: O Agente Bom de Corte e este Cada Um Tem a Gêmea Que Merece, sua mais nova tentativa de fazer humor.
Escrito por Sandler em parceria com Steve Koren e com argumento de Ben Zook, Cada Um Tem a Gêmea Que Merece nos apresenta aos irmãos Jack e Jill Sadelstein (ambos interpretados por Sandler). Ele é uma pessoa tranquila e mais próxima do normal possível. Já ela é o mais próximo possível do repugnante. Uma vez por ano, Jill visita Jack e sua família e durante quatro dias faz da vida deles algo insuportável. E para desespero de Jack, ela não parece querer ir embora tão cedo.
Jill é apresentada como uma pessoa que quase ninguém gostaria de ter por perto. Agressiva, forte, suarenta e com uma voz irritante, ela parece nunca ter ouvido falar de bons modos. Ao longo de todo filme, o roteiro busca nos fazer se importar com a personagem, com seus sentimentos, já que ela é uma pessoa carente. Mas é praticamente impossível que isso aconteça, já que Adam Sandler investe em uma caracterização feminina que só não é pior que a dos irmãos Wayans no pavoroso As Branquelas. Quando aparece em cena como Jill, Sandler investe em uma voz fina e gritante que claramente mostra que ele está se esforçando para soar engraçado. E não consegue em nenhum momento. Até quando está interpretando Jack ele resolve soltar alguns berros para fazer rir.
O roteiro consegue deixar o filme ainda pior por simplesmente não ter quase nenhuma boa piada durante toda a projeção. A tela é preenchida com gags óbvias e fracas que não conseguem nem dar vontade de rir. Os roteiristas ainda cometem o grande erro de achar que estão sendo hilários, algo que pode ser percebido pela grande repetição de algumas piadas. Por exemplo, o jardineiro que diz alguma coisa apenas para depois avisar que está brincando ou as marcas de suor que Jill deixa na cama sempre que se deita. Pensando que coisas desse tipo são engraçadas, Sandler e seus companheiros simplesmente subestimam a inteligência do espectador, achando que este vai rir de qualquer movimento mostrado no filme.
Os esforços de Sandler e companhia para fazer rir chegam ao ponto de simplesmente ignorar as leis da física, fazendo um personagem voar longe sempre que leva um soco ou faz uma atividade de risco, o que é bastante típico em comédias que apelam a tudo que podem para fazer rir. Em cenas assim, o diretor Dennis Dugan faz cortes rápidos, com o propósito de surpreender o público no momento em que as batidas acontecem, mas acabam não causando efeito algum por se tratarem de bobagens usadas em muitos e muitos filmes.
Além disso, o potencial dramático de alguns elementos, como a história de que irmãos gêmeos sentem a dor um do outro, é jogado fora, o que demonstra o medo que os realizadores têm em trazer um pouco de seriedade para o filme. Ao invés de criar uma situação grave entre os personagens, o roteiro usa essa informação para uma cena em que Jill começa a dar tapas em si mesma, esperando que seu irmão também sinta a dor, o que é de uma idiotice inacreditável.
Cada Um Tem a Gêmea Que Merece ainda traz Al Pacino em ação. Mas é um verdadeiro desperdício de talento. Brincando com a própria imagem ao interpretar a si mesmo, Al Pacino é a única peça em todo filme que até consegue tirar algumas risadas. Um pouco disso se deve ao fato de este não ser o tipo de projeto no qual estamos acostumados a vê-lo. Se o filme faz rir em algum momento é na última cena, e isso se deve a Pacino. Mas, de modo geral, as situações em que o ator entra ao lado de Adam Sandler são constrangedoras, como o momento em que ele começa a cheirar a marca de suor na cama de Jill.
Nem um ator como Al Pacino conseguiria salvar este filme de ser uma catástrofe. Quando se trata de uma comédia e a cena que faz rir é exatamente a última, só há uma conclusão a ser tirada ao final da sessão: o filme que acabou de ser visto foi terrível. Cada vez mais Adam Sandler está se aproximando do amigo Rob Schneider em termos de qualidade de seus filmes.
Cotação:

2 comentários:

Robertadear disse...

Dear, fiquei decepcionada.Estava louca pra ver esse filme porque gosto do Adam Sandler.Adorei Como se fosse a primeira vez.Mas normalmente os filmes de comedia americanos sao muito ruins na minha opiniao.Nao sei se e porque o humor e diferentes.Eles dao risadas de coisas que pra nos nao tem graca nenhuma.Obrigada.Nao vou mais perder meu tempo pra ver esse filme.Bjos.

PANS disse...

Realmente, só consegui rir quando Al Pacino aparece sozinho, sendo somente seu personagem, que é o que torna engraçado: Al Pacino fazendo esse tipo de filme. A partir do momento que ele começa a contracenar com Adam Sandler começa a virar vergonha alheia. Me pergunto: por que Al Pacino concordou em fazer um filme desses? Representando ele mesmo ainda por cima.
Devo admitir que a cena que eu mais ri foi ver Johnny Depp com uma camiseta do Justin Bieber, não pela cena em si, por que acho que usaram isso para tirar algumas risadas, mas pela decadência do nosso talentoso, ultimamente repetitivo, ator que fez personagens inesquecíveis.
PARA QUE ACEITAR FAZER FILMES ASSIM? Para aparecer mais? Ta faltando dinheiro? DEPRESSÃO PÓS DIVÓRCIO? Por favor..