Baseado no livro de Mark Helprin,
Um Conto do Destino se passa majoritariamente em 1916 e conta a história de
Peter Lake (Colin Farrell), ladrão que ao invadir uma mansão, achando que não
há ninguém por ali, conhece a bela Beverly Penn (Jessica Brown Findlay), que
está morrendo por causa da tuberculose. Eventualmente os dois se apaixonam, mas
Peter está com problemas com seu antigo chefe, Pearly Soames (Russell Crowe),
que, além de ser algo mais assustador do que aparenta, quer acabar com sua vida
e as de quaisquer outras pessoas ao seu redor.
Estreia do roteirista picareta
Akiva Goldsman como diretor, Um Conto do Destino se revela um teste de
paciência para o espectador. Sendo um romance com uma boa dose de fantasia, o
filme já falha no modo como apresenta seu universo, já que é um tanto ridículo quando
surgem os elementos mais fantásticos, como o cavalo mágico que salva Peter dos
capangas de Pearly ou a verdadeira natureza de um personagem. No entanto, esse
é apenas um dos problemas da narrativa, e nem é o mais grave. O roteiro (também
assinado por Goldsman) adota uma estrutura que não é funcional para a história,
iniciando a o filme intercalando cenas que se passam em 1895 (com os pais de
Peter), 1916 e 2014 (onde vemos o protagonista investigando seu passado), sendo
que essa parte do futuro não só faz a trama ficar um pouco previsível como
ainda é mostrada novamente mais tarde, o que faz sua presença no início ser totalmente
desnecessária.
Como se não bastasse, o diretor
não consegue criar um pingo de tensão durante o filme, o que era necessário para
que algumas cenas funcionassem, e ainda faz de tudo para nos levar às lágrimas,
dando um tom excessivamente sentimental a narrativa e usando até uma trilha
melosa (que surpreendentemente foi composta em parte por Hans Zimmer). Mas isso
mais irrita do que ajuda a tornar o filme envolvente. Além disso, alguns dos
diálogos que Goldsman inclui no roteiro chegam a doer nos ouvidos de tão ruins,
como quando Peter e o pai de Beverly, Isaac (William Hurt), discutem a
pronúncia de certas palavras, ou a primeira conversa entre o protagonista e sua
amada.
Nem o elenco, cheio de grandes
nomes, se salva. Colin Farrell e Jessica Brown Findlay se esforçam, mas não
conseguem fazer de Peter e Beverly figuras interessantes pelas quais possamos nos
importar, o que consequentemente tira o impacto de determinados momentos.
Farrell, aliás, não deixa de ser um exemplo de miscast, considerando que Peter
deveria ter cerca de 20 anos e o ator não convence como alguém mais jovem. E se
Jennifer Connelly não tem muito o que fazer em cena, Will Smith surge no puro
overacting interpretando um tal de Juíz, ao passo que a veterana Eva Marie
Saint tem em mãos uma personagem que talvez nem devesse estar viva quando
aparece, em uma das coisas que Akiva Goldsman força para atender as
necessidades de seu roteiro. Mas quem surpreende mesmo é Russell Crowe, que aqui
investe numa composição incrivelmente caricatural no papel de Pearly Soames, tendo
a pior atuação de sua carreira (a cena em que o personagem aparece bêbado no
início é constrangedora).
Bobo e chato ao longo de suas duas
horas de duração, Um Conto do Destino prova que se Akiva Goldsman já não era um
roteirista digno de admiração, como diretor ele realmente não leva jeito.
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