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domingo, 26 de julho de 2020

XVI Fantaspoa - 2ª Parte - Especial Nabwana IGG

“Uma câmera na mão e uma ideia na cabeça”.

O lema do nosso grande Cinema Novo passou pela minha cabeça várias vezes enquanto eu assistia aos filmes do ugandense Isaac Godfrey Geoffrey Nabwana, mais conhecido como Nabwana IGG, cineasta que está sendo homenageado no XVI Fantaspoa. Com orçamentos quase nulos (nas informações do site IMDb, vi os números chegarem a 65 dólares), Nabwana já produziu dezenas de filmes de ação nos últimos 15 anos, tendo como cenário a favela de Wakaliga, onde mora e montou seu estúdio particular, Wakaliwood. Nesta edição do Fantaspoa, três filmes do cineasta foram colocados na programação, Quem Matou Capitão Alex?, Crazy World e Bad Black, e assistindo a eles fica claro que Nabwana não precisa de grandes caprichos para entreter o público.

Ao ver esses três longas, é difícil não pensar que eles parecem pertencer a um mesmo universo cinematográfico, o que é até inevitável considerando que eles foram todos feitos a partir dos mesmos recursos limitados. Dessa forma, esteticamente eles acabam sendo muito parecidos uns com os outros, ainda que contem histórias que são independentes umas das outras. E Nabwana não perde a chance de até brincar um pouco com isso, colocando várias referências entre suas obras. É algo que diverte e se revela um prato cheio para VJ Emmie, um video joker que fica fazendo comentários engraçados durante o desenrolar das histórias.

Aliás, eu já ia esquecendo de falar sobre o que são essas histórias. Em Quem Matou Capitão Alex? vemos Bruce U (o Bruce Lee ugandense, como é estabelecido) tentando descobrir quem matou seu irmão, Capitão Alex, cujo assassinato ocorreu quando este estava prestes a libertar a capital Kampala dos criminosos da Máfia dos Tigres. Já em Crazy World acompanhamos um pai em busca de seu filho, que foi sequestrado pela Máfia dos Tigres (de novo ela!) junto com outras crianças, o que o faz juntar forças com um ex-soldado que enlouqueceu após o sequestro de sua própria filha. E Bad Black segue a história da personagem-título, uma criança que se rebela contra o líder de uma quadrilha de tráfico infantil e, depois de adulta, se torna uma grande criminosa. Ao mesmo tempo ainda acompanhamos um médico americano que quer recuperar suas placas do exército, sendo que para isso ele é treinado por Wesley Snipes, uma criança mestre em kung fu.

Mas não podemos dizer que tais tramas são de suma importância para os filmes, sendo usadas mais como um ponto de partida para que Nabwana IGG possa colocar na tela as cenas de ação que imaginou. Com muitos “defeitos especiais”, Nabwana dá vida a tiroteios, cenas de luta, explosões e perseguições de carro que envolvem o público graças a diversão que proporcionam, sendo que elas têm clara influência de produções hollywoodianas que devem ter feito parte da formação do diretor. Na verdade, devo admitir que em determinados momentos eu fiquei um pouco emocionado assistindo aos filmes. Não porque estivesse ocorrendo alguma forte emoção na tela, mas porque a palavra-chave dos longas de Nabwana IGG é “entusiasmo”, aspecto que pode ser visto em cada frame que o diretor concebe com sua câmera. Fazer cinema é uma coisa difícil em qualquer instância, de forma que acaba sendo legal ver Nabwana conseguir executar as cenas que idealizou mesmo sem os recursos para torná-las perfeitas.

As imperfeições das obras de Nabwana IGG não deixam de ser admiráveis considerando o contexto em que são produzidas. Fazendo um cinema “na cara e na coragem”, o cineasta cria experiências inesquecíveis do seu próprio jeito, e o valor artístico dos resultados disso não faz feio frente ao das produções de orçamentos milionários que nos acostumados a assistir.

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Lembrando que o XVI Fantaspoa está acontecendo gratuitamente no streaming da Darkflix. 

Este é o segundo post comentando essa edição do festival, mas se quiser ver o primeiro é só clicar aqui.

quarta-feira, 8 de abril de 2020

Quatro Irmãos e Sua Referência ao Faroeste



Uma das coisas bacanas da Arte é a possibilidade de interpretar as intenções por trás das obras. Falando de Cinema, nem todos os filmes são interessantes chamam atenção até nos detalhes mínimos, mas uma grande parte deles é, mesmo aqueles dos quais poderíamos não esperar nada além de um entretenimento eficaz. E sentimos uma sensação gostosa quando percebemos coisas pequenas, mas que são capazes de enriquecer ainda mais a narrativa. Hoje, vou usar Quatro Irmãos, thriller de ação de 2005 e dirigido por John Singleton, como exemplo disso.

No filme, Mark Wahlberg vive Bobby Mercer, cuja mãe adotiva Evelyn (Fionnula Flanagan) é assassinada durante um assalto, o que faz ele retornar à cidade onde cresceu. Se deixando levar pelo instinto de vingança, ele investiga o crime ao lado de seus irmãos Angel, Jeremiah e Jack (Tyrese Gibson, André Benjamin e Garrett Hedlund, respectivamente), e os quatro veem que a morte da mãe pode ter tido motivações maiores do que se imaginava inicialmente.

Pra quem não sabe, o longa é uma refilmagem de Os Filhos de Katie Elder, faroeste de 1965 dirigido por Henry Hathaway e estrelado por John Wayne e Dean Martin. Mas apesar de pegar a mesma premissa, Quatro Irmãos segue caminhos muito diferentes daqueles da obra original. Ao adaptar a trama para os dias atuais e em meio ao inverno da cidade de Detroit, o longa se afasta da estética árida e clássica do faroeste. John Singleton, porém, não ignora as raízes do gênero por completo. Afinal, uma das convenções que se estabeleceram rapidamente no faroeste foi a maneira de identificar os heróis e os vilões. Enquanto os primeiros ganharam o costume de usar chapéus brancos, sinalizando seu bom mocismo e moral inabalável, os últimos usavam chapéus pretos, em um alerta do perigo que representavam (abaixo, Alan Ladd e Jack Palance como Shane e Jack Wilson, respectivamente o herói e o vilão do clássico Os Brutos Também Amam).



Em Quatro Irmãos, os chapéus não ganham destaque, mas isso ocorre porque John Singleton, obviamente, preferiu usar a contraparte invernal do acessório: toucas. É algo que podemos ver com mais força no terceiro ato, durante o embate entre Bobby e o vilão Victor Sweet (Chiwetel Ejiofor). No entanto, Singleton aproveita para mudar um pouco a famosa convenção. Aqui, Sweet é quem utiliza a touca branca, enquanto Bobby surge com a touca preta.

É uma sacada simples, pequena, que não muda nada na trama. Mas acredito que ela revele muito sobre os personagens e como eles veem a si mesmos. Bobby, por exemplo, é um sujeito para quem torcemos ao longo da história, mas que age de maneira brutal diversas vezes, chegando a matar a sangue frio figuras que já deixaram de representar uma ameaça. É um anti-herói clássico, e o fato de ele usar a touca preta não só ajuda a sinalizar isso, mas também mostra que ele próprio não se vê como um exemplo de integridade, sendo capaz de absolutamente qualquer coisa para vingar a mãe.



Enquanto isso, Victor Sweet é um homem tão brutal quanto o protagonista. Ameaçador desde a primeira cena em que aparece, Sweet faz o possível para ter a cidade inteira nas mãos, não hesitando em pegar em armas se o contrário ocorrer. O sujeito gosta tanto do poder que isso lhe traz que não perde uma oportunidade de humilhar seus capangas. Ele estar com a touca branca no embate final, portanto, poderia ser um sinal de pura hipocrisia... A menos que Sweet não se veja como vilão. Na verdade, ele parece alguém que pensa ser um grande salvador da pátria, que encontra justificativa para seus atos no fato de quase todo mundo ao seu redor dever alguma coisa a ele (como os Mercer não estão nessa lista, o embate entre ele e os quatro irmãos é até natural). Mas se ignorarmos tudo isso, talvez Victor Sweet ainda acredite ser, no mínimo, o herói de sua própria vida, alguém que se rebelou contra o tio violento para assumir seu poder, como é mencionado em determinado momento do filme.

Tudo isso, claro, é apenas uma interpretação de minha parte. Pode ser uma grande viagem e John Singleton usou aquelas toucas só porque elas estavam disponíveis no momento. Mas ainda que haja essa possibilidade, é legal quando um filme cativa o espectador e o faz pensar além do que apresenta na superfície.

sábado, 4 de abril de 2020

A Criatividade Inesgotável dos Zumbis



As edições de DVD’s, produzidas por empresas como a Versátil Home Video e a Obras-Primas do Cinema, são alguns dos itens colecionáveis que mais têm me encantado, dando atenção a filmes que são difíceis de encontrar em mídia física no Brasil (isso quando eles não são inéditos). Recentemente, em uma oportunidade que precisei aproveitar (amigos colecionadores certamente conhecem essa sensação), adquiri um dos volumes da coleção de Zumbis, da Versátil, focada em clássicos e pérolas desse subgênero de terror. Sendo mais específico, comprei o terceiro volume, que inclui Zumbi 2: A Volta dos Mortos (1979), Cidade Maldita (1980), Sonho de Morte (1974) e Os Zumbis de Sugar Hill (1974). E eu até poderia ficar exaltando o belo trabalho por trás desses DVD’s, mas no momento prefiro me concentrar na criatividade de como o conceito de zumbis é tratado.

A natureza monstruosa dos zumbis já foi utilizada das mais diversas formas, possibilitando até mesmo metáforas sócio-políticas. Por exemplo, é curioso ver o conceito de mortos-vivos, famintos por humanos, ser usado para trabalhar o estresse pós-traumático de quem retorna de uma guerra, como Bob Clark fez em Sonho de Morte. Ou então ver uma realidade familiar em Cidade Maldita, onde Umberto Lenzi mostra um avião chegar a uma pequena cidade, trazendo um grupo de pessoas infectadas por um vírus e que passam a contaminar a população através de ataques que o governo, inicialmente, tenta abafar a fim de não causar pânico. Relacionar isso ao que certos líderes ao redor do mundo fizeram/fazem diante da atual pandemia de coronavírus foi inevitável e, considerando que o filme é de 1980, parece tratar-se de um modus operandi mais comum do que se imagina.


Indo para o lado do blaxploitation (famoso movimento de filmes focados na comunidade afro-americana, com obras protagonizadas e muitas vezes realizadas por negros), Os Zumbis de Sugar Hill faz um resgate histórico interessante ao “zumbificar” os antigos escravos americanos, que passam a auxiliar a protagonista em sua vingança contra os assassinos de seu namorado, como se ela buscasse apoio em seus antepassados. E claro, às vezes as criaturas podem apenas servir de ponto de partida para que acompanhemos uma série de situações tensas, pontuadas por pura violência, como o lendário Lucio Fulci fez de maneira tão fantástica em Zumbi 2, que deve entrar em listas de grandes filmes do subgênero.

Só entre os citados temos longas feitos em países diferentes, com histórias que nada têm a ver umas com as outras, refletindo culturas diferentes e que contam com forças criativas completamente distintas. E ainda temos o bônus de serem filmes eficazes em suas respectivas propostas. Claro que o que estou dizendo aqui não deixa de ser óbvio. Mas é sempre bom ver que um conceito relativamente simples, como o dos zumbis, já rendeu (e ainda rende) projetos tão variados.



sábado, 17 de novembro de 2012

Créditos de Abertura

Há filmes que conseguem prender a atenção já em seus créditos iniciais. Quando essas sequências mostram um pouco de criatividade por parte dos envolvidos no projeto, isso geralmente cria alguma expectativa com relação ao que vem a seguir. Uma esperança de que o restante da produção seja igualmente interessante.
Os créditos iniciais podem até ser a melhor parte de um filme fraco ou então ser um dos vários grandes momentos de um filmaço. Esses casos podem ser vistos, respectivamente, em X-Men Origens: Wolverine e Millenium: Os Homens Que Não Amavam as Mulheres. Usando raccords e elipses, os créditos do filme-solo do mutante mostram as passagens de James Howlett (ou Logan, ou Wolverine, como preferirem) e Victor Creed por várias guerras, já valendo a incursão pelo filme, ainda que este seja bastante decepcionante (infelizmente, depois de muito tentar, não consegui incluir os créditos do filme por aqui). Enquanto isso, Os Homens Que Não Amavam as Mulheres usa seus fantásticos créditos para adiantar o mundo brutal no qual entraremos, além de apresentar um pouco a mente conturbada de sua protagonista, Lisbeth Salander. E a versão que fizeram de “Immigrant Song” é um bônus sensacional.
Em termos de mostrar de antemão um pouco do universo no qual o filme está inserido, há também os créditos de Zumbilândia, que ao som de Metallica conta com vários ataques de zumbis em slow motion, sendo que os personagens ainda interagem com os letreiros, o que acaba sendo divertido de se ver. Ou Corra Lola, Corra, que consegue apresentar seu ritmo frenético com créditos feitos em forma de desenho animado. Ou Watchmen, que mostra a ascendência e a decadência dos super-heróis (incluindo toda a história do grupo dos Minute Men) em uma sequência que dura pouco mais de cinco minutos. E a canção que a acompanha é mais do que apropriada (infelizmente, este é outro filme que não consegui os créditos).
Os créditos de Um Corpo Que Cai também são muito interessantes. O mestre Alfred Hitchcock usou essa parte de seu filme (que recentemente foi eleito o melhor filme de todos os tempos pela revista britânica Sight & Sound) para ilustrar a vertigem do protagonista interpretado por James Stewart. E a trilha composta por Bernard Hermann ajuda a criar uma atmosfera de tensão, que ainda percorrerá ao longo de quase todo o filme.
Para terminar, seria difícil não mencionar por aqui os créditos dos filmes da franquia 007, que sempre foram bastante estilizados, e a partir de 007 Contra Gondfinger ainda passaram a ter uma música-tema. Vale dizer que os créditos de 007: Operação Skyfall fazem jus aos melhores da série, lembrando um pouco a era clássica de James Bond, o que corresponde a uma das propostas do filme.
Que créditos bacanas como esses que citei (e outros que só não incluí para não deixar o post grande demais, como Homem-Aranha 2 e Seven: Os Sete Crimes Capitais) continuem sendo feitos. É sempre interessante ver um pouco de criatividade nesses momentos.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Batman - Através dos Filmes

Aproveitando a estreia de Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge, o blog faz agora um pequeno especial sobre os filmes do Homem-Morcego nos cinemas. A franquia cinematográfica de Batman pode ser uma boa representação de uma fênix. Afinal, depois de se estabelecer como algo interessante nos filmes dirigidos por Tim Burton, o personagem viu suas histórias irem ao fundo do poço a partir da metade da década de 1990, e foi preciso quase uma década para que se recuperasse, ressurgindo das cinzas. Hora de fazer essa pequena recapitulação.
Batman: O Homem-Morcego
O primeiro filme estrelado por Batman e os outros personagens de suas HQs veio em 1966. Batman: O Homem Morcego havia sido planejado para fazer parte da famosa série Batman, estrelada por Adam West e Burt Ward. Mas acabou sendo lançado nos cinemas para aproveitar a popularidade do programa, que durou três temporadas.
Batman: O Homem Morcego tem problemas óbvios, como os diálogos explicativos demais (em certo momento Batman fala “Se tirarmos nossas máscaras, nossas identidades serão reveladas”, e este é o menor dos exemplos) e cenas de ação que são bastante bagunçadas. Mas consegue ter seus momentos de pura diversão, como a cena em que Batman corre para se desfazer de uma bomba (assista o video abaixo), ou o confronto final de Batman e Robin contra os vilões Coringa (Cesar Romero), Pinguim (Burgess Meredith, também conhecido como o treinador de Rocky Balboa, Mickey Goldmill), Charada (Frank Gorshin) e Mulher-Gato (Lee Meriwether), que conta com as famosas onomatopeias da série de TV.
Apesar dos absurdos que se vê ao longo da história (como no início, quando o herói é mordido por um tubarão que havia engolido uma mina e, por isso, explode ao cair no mar), Batman: O Homem Morcego pode não ter sido um grande começo para o personagem nas telonas, mas é um filme no mínimo curioso e pelo menos em termos de diversão é bem melhor que as bombas que o herói ainda iria enfrentar (e que comentarei daqui a pouco).
A Fase Sombria de Tim Burton
Em 1986, Tim Burton aceitou o trabalho de levar o personagem de volta às telonas. Lançando Batman em 1989 com Michael Keaton no papel principal (algo que os fãs do personagem não gostaram nenhum pouco a princípio), Burton apresentou um filme com um tom muito mais sério, em uma Gothan City que parecia um pesadelo graças ao habitual estilo gótico do diretor, o que é bastante apropriado em uma cidade bastante violenta. Mesmo com uma abordagem mais sombria o filme tem momentos divertidíssimos, e muito se deve a bela interpretação de Jack Nicholson como o Coringa.
Em 1992, veio a continuação Batman: O Retorno e um tom ainda mais sombrio do que aquele visto anteriormente. Com o Pinguim (Danny DeVito) e a Mulher-Gato (Michelle Pfeiffer) como principais vilões, a história pouco se concentra em Bruce Wayne, focando muito mais seus antagonistas, enquanto que o herói ganha mais atenção em seu relacionamento com Selina Kyle. Com algumas falas de duplo sentido (em uma cena, quando encontra a Mulher-Gato, o Pinguim diz “Just the pussy I've been lookin' for!”, que prefiro não traduzir), o roteiro do filme certamente precisaria de algumas alterações para ser produzido hoje.
Foram dois filmes interessantes, que estabeleceram bem o tipo de universo que Batman deveria percorrer. Uma pena que tudo começaria a virar um grande carnaval três anos mais tarde.
O Erros de Joel Schumacher
A bilheteria de Batman: O Retorno ficou abaixo dos números esperados pela Warner, e o estúdio resolveu tirar a abordagem sombria na qual Tim Burton havia mergulhado a franquia. No entanto, ele ficou como produtor de Batman Eternamente e ajudou a escolher Joel Schumacher para assumir a cadeira de direção do terceiro filme, que ainda faria o cineasta ser chamado para uma quarta produção (esta sem qualquer envolvimento de Burton).
Com o objetivo de fazer algo mais “família” e divertido para o público, Schumacher e os roteiristas (um deles sendo o medíocre Akiva Goldsman, e é vergonhoso que esse cara tenha um Oscar na estante, ainda que seja por um bom filme) acabaram transformando Batman em um verdadeiro festival de cafonice. Repleto de cores quentes e gags que buscam o riso fácil, Batman Eternamente e Batman & Robin em nada lembram o universo criado por Tim Burton, além de contar com os famosos mamilos na roupa do herói. Batman Eternamente até diverte em alguns momentos, mas muito pouco diante de tantas escolhas erradas.
Tudo piora em Batman & Robin, lançado em 1997, no qual as cenas de ação são uma bagunça, o roteiro muito capenga, o elenco mal escalado e as gags não fazem com que ríamos com o filme, e sim do filme, transformando tudo em uma experiência desagradável. Até George Clooney (um ator e diretor excepcional, mas que foi um Batman fraquíssimo) se envergonha, e volta e meia faz piadas com a produção.
Batman ficaria no limbo durante alguns anos, até que em 2003 um certo cineasta britânico foi contratado para dar nova vida ao herói.
Christopher Nolan e a Trilogia do Cavaleiro das Trevas
Com Christopher Nolan no comando, Batman Begins chegou em 2005 apenas como mais um filme de super-herói no meio de tantas outras produções. Mas surpreendeu com sua história de origem extremamente eficiente e também com o viés mais realista conferido por seu ambicioso diretor. Gotham City, por exemplo, se tornou um lugar muito mais real do que aquela cidade de visual gótico apresentada por Tim Burton, e o fato de ela ser dominada pelo medo, pela violência e pela corrupção é muito mais explorado. Até a própria figura de Batman, seus acessórios e os vilões que ele enfrenta se tornaram mais críveis. E Nolan achou em Christian Bale (um ator espetacular) o Bruce Wayne perfeito.
Dando continuação a história de Batman Begins viria Batman: O Cavaleiro das Trevas, um dos melhores filmes de 2008. Trazendo um embate pesado e psicologicamente desgastante entre Batman e o Coringa (Heath Ledger), o filme não pode ser considerado apenas um filme de super-herói. É uma obra que não deixa nada a desejar a clássicos policiais como Fogo Contra Fogo, de Michael Mann.
Tendo no Coringa um dos melhores vilões dos últimos anos (Ledger deixou para trás todos os intérpretes do personagem, inclusive Jack Nicholson no filme de Burton, e merecidamente ganhou um Oscar póstumo), Batman: O Cavaleiro das Trevas é o filme no qual várias adaptações de quadrinhos começaram a sonhar em se tornar. Christopher Nolan transforma Gotham City em uma cidade caótica, um lugar no qual até o ser humano mais correto pode se tornar um criminoso (como diz o Coringa “Loucura é como a gravidade. É preciso apenas um empurrãozinho”).
Nesses dois filmes, é fascinante constatar que Nolan acertou em cheio ao tratar Batman não só como um homem que luta contra o mal que assola uma cidade (e que está disposto a ficar marcado como inimigo para protegê-la), mas também como um símbolo que pode deixar uma marca muito maior por onde passar.
Esperemos que Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge finalize bem uma trilogia tão ambiciosa. O filme estreia nos cinemas brasileiros nesta sexta-feira.

terça-feira, 24 de abril de 2012

As Peças de Os Vingadores

Como todos sabem, o filme que traz alguns dos grandes heróis da Marvel Comics está chegando. Os Vingadores é um quebra-cabeça que foi bem montado ao longo dos últimos quatro anos, apresentando muito bem suas peças para a reunião que chegará aos cinemas no dia 27 de abril. Aliás, nós brasileiros teremos o privilégio de conferir o filme antes dos americanos, que só poderão acabar com a ansiedade a partir do dia 4 de maio.
Antes de assistir a Os Vingadores, resolvi rever cada uma das peças que formaram esse quebra-cabeça tão esperado. Coloquei no Facebook e no Twitter alguns breves comentários sobre cada um dos filmes, mesmo os que já têm críticas aqui no blog, como é o caso de Homem de Ferro 2 (uma crítica bem do começo do blog), Thor e Capitão América: O Primeiro Vingador.
Para não deixar em branco este período antes da estreia (infelizmente, não consegui me organizar para escrever críticas dos filmes que faltam), coloco estes comentários por aqui. Apesar de o personagem estar em Os Vingadores (e eu gostar muito do filme) preferi deixar o Hulk, de Ang Lee, fora da maratona, já que não fez parte desse grande projeto da Marvel.
- Homem de Ferro (Iron Man, 2008), de Jon Favreau: Um filme empolgante, que tem em Robert Downey Jr. o intérprete perfeito de Tony Stark, construindo um personagem que diverte com sua arrogância, mas ao mesmo tempo mostra se preocupar com os problemas ao seu redor. Cotação: 5/5
- O Incrível Hulk (The Incredible Hulk, 2008), de Louis Leterrier: Diferente do filme de Ang Lee ao investir mais nas cenas de ação do que no relacionamento entre os personagens, mas ao mesmo tempo tem um roteiro que consegue desenvolver seu protagonista e focar eficientemente em sua figura como herói. Cotação: 4/5
- Homem de Ferro 2 (Iron Man 2, 2010), de Jon Favreau: Traz Robert Downey Jr. mais confortável no papel de Tony Stark e um vilão ameaçador que já chama a atenção por ser interpretado por Mickey Rourke. Apesar de ter alguns problemas no roteiro, Homem de Ferro 2 apresenta elementos importantes para o universo do qual faz parte. Um filme divertido e eficiente, ainda que inferior ao seu antecessor. Cotação: 4/5
- Thor (Idem, 2011), de Kenneth Branagh: Não se preocupa apenas com a apresentação e o desenvolvimento de um dos principais membros dos Vingadores (interpretado com grande carisma por Chris Hemsworth), mas também procura estabelecer seu próprio universo. Cotação: 4/5
- Capitão América: O Primeiro Vingador (Captain America: The First Avenger), de Joe Johnston: Interpretado com muita eficiência por Chris Evans, Steve Rogers mostra ser um líder nato desde o início, além de um grande estrategista, sendo o homem ideal para ficar a frente dos Vingadores. E o roteiro acerta ao universalizar o personagem, não o explorando como um grande patriota dos Estados Unidos, e sim como a pessoa boa que sempre foi, o que o faz ser uma figura com a qual qualquer um pode se identificar. Cotação: 4/5
Para quem quiser se preparar um pouco mais, indico esses curtas-metragens protagonizados pelo Agente Coulson (Clark Gregg). The Consultant (que veio nos extras do Blu-Ray de Thor) mostra como foi os bastidores da participação de Tony Stark em O Incrível Hulk. E A Funny Thing Happened On The Way to Thor’s Hammer (que, por sua vez, veio nos extras do Blu-Ray de Capitão América) diverte por trazer Coulson de um jeito até então desconhecido, mas muito interessante. Infelizmente, a incorporação de The Consultant está desativada no YouTube, portanto para assisti-lo clique aqui. A Funny Thing Happened On The Way to Thor’s Hammer você pode ver logo abaixo.
Terreno preparado. Agora é esperar para assistir a grande reunião de alguns dos maiores heróis da Marvel. Avante Vingadores!