sábado, 8 de março de 2014

300: A Ascensão do Império

300: A Ascensão do Império é um exemplo de algo que surge com bastante frequência no cinema: uma sequência desnecessária para um grande sucesso de bilheteria e que tenta arrecadar mais alguns milhões de dólares em cima disso. Na verdade, “sequência” nem chega a ser o nome certo para descrever o filme, já que sua história se passa não só depois dos eventos de 300, mas também antes e durante estes. O resultado é um filme que apesar de ter alguns bons momentos, fica muito longe de seu eficiente antecessor.

Com Noam Murro assumindo o cargo de diretor no lugar de Zack Snyder, que ao lado de Kurt Johnstad ficou responsável pelo roteiro, 300: A Ascensão do Império mostra que depois de o rei persa Darius (Igal Naor) ter sido morto por Temístocles (Sullivan Stapleton), líder dos exércitos atenienses, seu filho Xerxes (Rodrigo Santoro) se tornou um deus-rei e declarou guerra aos gregos. Depois de derrotar o pequeno exército espartano liderado pelo rei Leônidas, Xerxes parte para cumprir seu objetivo de dominar a Grécia. Nisso, Temístocles tenta unir forças com outros exércitos, como os espartanos e a rainha Gorgo (Lena Headey), para combater os homens de Xerxes, liderados por Artemísia (Eva Green).

O que vemos nessa continuação é basicamente a mesma coisa que aparecia no filme anterior, desde o visual até os truques estilísticos, algo que já era esperado. No entanto, se esses elementos tornavam o longa de Zack Snyder algo bonito de se acompanhar e até traziam impacto a determinadas cenas, nessa continuação eles são jogados na tela displicente e excessivamente por Noam Murro, principalmente o famoso slow motion, o que torna o filme muito desinteressante. Já nas cenas de batalha, Murro investe em um verdadeiro banho de sangue, com um corte de espada resultando num grande jorro vermelho e membros sendo decepados (tudo em câmera lenta, assim como no primeiro filme), mas esse quesito é conduzido de forma tão burocrática pelo diretor que não demora muito até as sequências ficarem entediantes, o que é uma pena considerando que elas poderiam render algo bacana por se passarem no mar na maior parte do tempo.

Para piorar, se antes tínhamos a grande presença do rei Leônidas como protagonista, agora temos que nos contentar com Temístocles, interpretado sem um pingo de carisma por Sullivan Stapleton, que tenta várias vezes trazer para seu personagem a mesma imponência que Gerard Butler tinha no primeiro filme, falhando miseravelmente. E por mais curioso que seja ver um lado diferente dos conflitos vistos anteriormente, a verdade é que acompanhar a visão de Temístocles e seus companheiros acaba não sendo o melhor jeito de explorar essa ideia. Sendo assim, cabe a bela Eva Green (uma deusa grega por si só) praticamente tomar o filme para si, encarnando a vilania de Artemisia com energia e transformando-a em uma mulher forte, além de protagonizar boas cenas ao lado de Rodrigo Santoro, que dessa vez ganha um pouco mais de espaço para desenvolver Xerxes (mas só um pouco mesmo). Aliás, por o roteiro mostrar as origens de ambos os vilões, estes acabam se tornando as figuras mais interessantes do filme, fazendo com que seja ainda mais decepcionante o fato de a história ficar bastante centralizada em Temístocles.

300: A Ascensão do Império infelizmente tem poucas coisas que o façam um filme que prenda a atenção, sendo esquecido pouco depois de as luzes da sala do cinema serem acesas. Espero que isso melhore caso um terceiro capítulo seja desenvolvido, o que certamente acontecerá caso este aqui seja um sucesso.

sexta-feira, 7 de março de 2014

Seven: Os Sete Crimes Capitais

David Fincher estreou como diretor de longas-metragens com o terceiro episódio da série Alien, que se revelou uma grande decepção – principalmente se considerarmos o alto nível dos capítulos anteriores. O diretor diria posteriormente que não teve uma boa experiência neste projeto inicial, com os produtores controlando-o o tempo todo. No entanto, em seu trabalho seguinte, o realizador conseguiu mostrar toda sua competência por trás das câmeras, deixando claro o excepcional cineasta que realmente é. O filme em questão foi Seven: Os Sete Crimes Capitais, uma das grandes obras-primas da década de 1990.

Escrito com uma meticulosidade incrível por Andrew Kevin Walker (que infelizmente não manteve o mesmo brilhantismo em suas produções seguintes), Seven nos apresenta ao detetive William Somerset (Morgan Freeman), que está prestes a se aposentar quando passa a cuidar do caso de um serial killer que usa os sete pecados capitais como base para seus crimes. Com a ajuda do novato David Mills (Brad Pitt), Somerset vai aos poucos se aprofundando no caso, que fica cada vez mais assustador à medida que os assassinatos vão ocorrendo, sendo diferente de qualquer coisa que o experiente detetive tenha visto até então.
Logo no início é possível prever que Seven não será um filme fácil. Em uma de suas primeiras cenas, por exemplo, Somerset é obrigado a usar um metrônomo para que os sons da violência que ocorre do lado de fora de sua casa sejam abafados e ele possa dormir, o que mostra o quão estressante é seu trabalho. Isso é seguido pelos ótimos créditos iniciais, que já tratam de estabelecer um tom sombrio que percorrerá toda a trama. É impossível não admirar a atmosfera claustrofóbica imposta por Fincher com a ajuda da excelente fotografia de Darius Khondji e da ótima trilha de Howard Shore, que ainda criam um belo clima de suspense para a história. Enquanto isso, a montagem ágil de Richard Francis-Bruce (que foi merecidamente indicado ao Oscar na época), somada ao nível de tensão de certas cenas, faz com que o espectador fique sempre inquieto. Apesar da história se passar durante uma semana, com um assassinato ocorrendo a cada dia, Francis-Bruce merece créditos ainda por trazer grande fluidez à narrativa, nunca deixando o filme ficar episódico.
Outro ponto admirável em Seven é que o roteiro de Andrew Kevin Walker, mesmo se preocupando com a investigação, que serve como base para a trama, dá maior atenção ao desenvolvimento de seus personagens, em uma decisão arriscada, mas que torna o filme muito mais instigante. É interessante notar como Somerset e Mills são praticamente os opostos um do outro, o que vai desde suas personalidades até o modo como levam suas vidas. Enquanto o primeiro é mais racional, culto e solitário (detalhes que são frutos de sua própria experiência como detetive), o segundo é impulsivo, emotivo, um tanto ingênuo e parte de um casamento feliz com Tracy (Gwyneth Paltrow). Mas, mesmo sendo diferentes, ambos os detetives são eficientes naquilo que fazem e se mostram determinados a resolver o caso que têm em mãos.
Além disso, Morgan Freeman e Brad Pitt têm algumas de suas melhores atuações interpretando os protagonistas, compondo-os com cuidado e desenvolvendo uma química impecável em cena. Esta mesma boa sintonia eles compartilham com Gwyneth Paltrow, que em seu pouco tempo de tela é hábil ao fazer de Tracy uma figura simpática, afetuosa, vulnerável e não menos interessante do que os outros personagens, algo que acaba sendo essencial no terceiro ato. No entanto, quem se sobressai no elenco é o excepcional ator que encarna John Doe, o responsável pelos crimes hediondos que vemos na tela (prefiro não revelar a identidade do intérprete, mesmo que o filme tenha quase 20 anos e todos já devem saber quem se trata). Quando John Doe surge em cena, nos deparamos com um ser frio e calmo, características que vão contra a imagem que construímos dele durante o filme, mas que o tornam muito mais ameaçador do que imaginávamos. E o curioso com relação a ele é que ainda que seus crimes sejam violentos, eles nunca aparecem sendo cometidos, com David Fincher nos deixando ver apenas os resultados, suficiente para evidenciar a psicopatia do personagem (o que dizer das vítimas da Gula e da Preguiça?).
O que nos traz ao magnífico terceiro ato de Seven, que é o ápice de tudo o que foi visto até aquele momento. Situada em um lugar isolado e desértico do qual é difícil escapar, essa sequência é conduzida com maestria pelo diretor, com uma tensão crescente e uma reviravolta absolutamente arrasadora que prova a inteligência do sádico vilão. E o fato de que, no decorrer da história, o roteiro apresente momentos nos quais os personagens poderiam ter evitado tal desfecho faz com que o final seja ironicamente trágico (logo no início, por exemplo, Somerset tenta largar o caso, o que ele com certeza gostaria ter feito se soubesse como terminaria). Sem dúvida é uma conclusão inesquecível, que faz o público ficar com os nervos à flor da pele e mostra a coragem do roteirista ao oferecer um rumo amargo, mas perfeito para sua história, evitando qualquer clichê.
Seven é um thriller policial que certamente entra no grupo dos melhores do gênero, mostrando boa parte da crueldade que domina o mundo em que vivemos. E, por isso, chega a ser difícil não concordar com a frase proferida por um dos personagens no final: “Ernest Hemingway escreveu uma vez ‘O mundo é um lugar bom, e vale a pena lutar por ele’. Eu concordo com a segunda parte”.
Nota:

quinta-feira, 6 de março de 2014

Resident Evil 3: A Extinção


Quando jogos são transportados para o cinema, geralmente os resultados não são muito satisfatórios. A franquia Resident Evil, por exemplo, apesar de ter alcançado um certo sucesso financeiro que permite que ela siga produzindo seus vários filmes, ainda assim é uma série composta majoritariamente por obras fracas, e seus melhores capítulos não passam do mediano. Um dos exemplares desonrosos é este Resident Evil 3: A Extinção.


Escrito por Paul W.S. Anderson (o grande responsável pela saga, tendo escrito todos os roteiros e dirigido a maioria), Resident Evil 3 mostra em sua história um grupo de sobreviventes liderados por Claire Redfield (Ali Larter) e Carlos Olivera (Oded Fehr, um dos remanescente de Resident Evil 2: Apocalipse). Eles estão cruzando o país em busca de um lugar que não esteja dominado por hordas de zumbis. Enquanto isso, o cientista Sam Isaacs (Iain Glen) diz ser capaz de usar o sangue de Alice (Milla Jovovich) para criar uma cura, possibilitando que os zumbis voltem a ser pessoas normais. Ao mesmo tempo, a protagonista continua com seu objetivo de derrubar a Umbrella Corporation, mas sem sucesso. Ao encontrar os sobreviventes no deserto de Nevada, Alice avisa que o Alaska talvez esteja seguro, fazendo-os se dirigirem para lá.
Como todo filme da série, Resident Evil 3 tem início com uma sequência na qual Alice (em sua narração em off que é abandonada logo depois) explica como a epidemia do T-vírus aconteceu. No entanto, isso já é uma forma de subestimar a inteligência do público, já que ao incluir isso em todo santo filme da franquia os envolvidos acham que esquecemos o que ocorreu nos capítulos anteriores (um pouco de confiança em quem está acompanhando a história não faz mal a ninguém). Aliás, desprezar a capacidade de entendimento do público é algo que este filme faz bastante, chegando ao ponto de incluir o mesmo furo de roteiro da primeiro aventura. Isso acontece quando um personagem é mordido por um zumbi, mas só se transforma muito tempo depois, no exato momento em que isso se mostra necessário de alguma forma para a história (considerando que foi Paul W.S. Anderson quem escreveu os dois enredos, não é surpresa que isso ocorra novamente). Como se não bastasse, as frases de efeito que o roteirista entrega para Alice são constrangedoras, causando até o riso involuntário.
O diretor Russell Mulcahy (mais conhecido como o responsável por Highlander: O Guerreiro Imortal) faz o que pode com o fiapo de história que tem mãos, já que esta não é interessante e serve como desculpa para vermos cenas de ação envolvendo ataques de zumbis. Mas, tirando alguns raros momentos de tensão (como aquele com corvos zumbis, que faz referência óbvia a Os Pássaros, de Hitchcock), esse quesito do filme é desenvolvido de maneira aborrecida, sendo que o realizador ainda dá alguns toques de slow motion que não ajudam a tornar as sequências melhores. A luta final, envolvendo Alice e uma versão monstruosa de um personagem, por exemplo, é quase um anticlímax nesse sentido.
Não conseguindo fazer com que nos importemos com seus personagens (várias figuras importantes morrem ao longo da história sem fazer muita falta), Resident Evil 3: A Extinção fica praticamente no mesmo nível de seu fraco antecessor. E os filmes seguintes infelizmente não melhoraram muita coisa.
Nota:

sábado, 1 de março de 2014

Apostas para o Oscar 2014



Deixei no Papo de Cinema minhas apostas para o Oscar 2014, que vai acontecer amanhã (aliás, recomendo que entrem lá e vejam as apostas dos outros membros da equipe). Mas como faço todo ano, deixo aqui alguns comentários sobre os favoritos ao prêmio e sobre aqueles pelos quais torcerei durante a cerimônia (ainda que dessa vez eu vá participar de um bolão de apostas e deveria torcer apenas por quem apostei).

Melhor Filme:

Torcida – Gravidade. Mas Ela e O Lobo de Wall Street também dividem a torcida, ainda que não tenham chance alguma de vencer.

Gravidade deverá levar uma boa parte dos prêmios em que está indicado. No entanto, o filme não deve levar o prêmio principal da noite, o que apenas mostra o quão estranha a votação da Academia consegue ser. Lembremos, por exemplo, de 1973, quando Cabaret ganhou 8 prêmios e ainda assim perdeu Melhor Filme para O Poderoso Chefão. Gravidade empatou com 12 Anos de Escravidão no Producers Guild Awards, mas o filme de Steve McQueen vem conseguindo um pouco mais de prestígio em outras premiações. Ao menos não será uma decisão feia da Academia caso ganhe, já que se trata de um ótimo filme.

Melhor Direção:

Torcida – Alfonso Cuarón, por Gravidade
Aposta – Alfonso Cuarón, por Gravidade

Em Gravidade, o que Alfonso Cuarón realiza em termos técnicos e narrativos é algo de tirar o fôlego, e não é à toa que ele é o grande favorito ao prêmio. No entanto, não será nenhuma surpresa caso os votantes resolvam entregar a estatueta para Steve McQueen, não só por 12 Anos de Escravidão ser o favorito em Melhor Filme, mas também porque seria algo bonito de se ver na festa. Afinal, McQueen seria o primeiro negro a ganhar o prêmio de Melhor Direção.

Melhor Ator:

Torcida – Matthew McConaughey, por Clube de Compras Dallas
Aposta – Matthew McConaughey, por Clube de Compras Dallas

Matthew McConaughey sempre foi um ator talentosíssimo, mas infelizmente decidiu encher sua carreira com produções duvidosas durante a maior parte da década passada. Mas de 2011 para cá, McConaughey passou a aceitar projetos mais desafiadores que, consequentemente, o levaram a trabalhar com diretores prestigiados. E agora ele aparece como favorito no Oscar de Melhor Ator e, caso se confirme, sua vitória será uma ótima coroação pelo que ele vem fazendo nos últimos anos. Sem falar que sua atuação como Ron Woodroof em Clube de Compras Dallas é de uma segurança invejável (uma das melhores de sua carreira). De qualquer forma, não será injusto caso Leonardo DiCaprio ganhe por sua grande atuação em O Lobo de Wall Street, filme no qual (vejam só!) Matthew McConaughey rouba a cena tendo pouquíssimo tempo de tela (uma pena ele não ter sido indicado como Coadjuvante também).

Melhor Atriz:

Torcida – Cate Blanchett, por Blue Jasmine.
Aposta – Cate Blanchett, por Blue Jasmine.

O Oscar já está praticamente nas mãos de Cate Blanchett. A atriz tem em Blue Jasmine a melhor atuação de sua carreira, e será um tanto triste caso ela perca esse prêmio, ainda que todas as outras indicadas estejam muito bem em seus respectivos filmes. Nas últimas semanas, saiu um boato de que as acusações de pedofilia que ressurgiram contra Woody Allen no mês passado estariam tirando as chances de Blanchett ser premiada (malditas contra-campanhas!), mas duvido muito que ela vá sofrer as consequências disso.

Melhor Ator Coadjuvante:

Torcida – Michael Fassbender, por 12 Anos de Escravidão.
Aposta – Jared Leto, por Clube de Compras Dallas.

Michael Fassbender tem uma atuação assustadoramente brilhante em 12 Anos de Escravidão, mas não tem muitas chances nessa categoria que vem sendo dominada por Jared Leto nas premiações pré-Oscar. O que também não é nada mal, já que o ator faz maravilhas no papel de Rayon em Clube de Compras Dallas. Um trabalho delicado que faz um contraponto interessante ao de Matthew McConaughey no filme.

Melhor Atriz Coadjuvante:

Torcida – June Squibb, por Nebraska.
Aposta – Lupita Nyong’o, por 12 Anos de Escravidão.

Por mais que eu tenha gostado June Squibb em Nebraska, a atriz é outra sem muitas chances de vencer. A disputa na categoria está principalmente entre a estreante Lupita Nyong’o e Jennifer Lawrence, por Trapaça. No entanto, Lawrence já ganhou uma estatueta em 2013, e Nyong’o vem chamando a atenção em outros prêmios com sua atuação no drama de Steve McQueen. A estatueta deve ir para ela. E se Lawrence por acaso vencer, será injusto assim como no ano passado, já que por mais talentosa que ela seja (e ela realmente é, como sempre digo), há outras indicadas melhores na categoria.

Melhor Roteiro Original:

Torcida – Spike Jonze, por Ela.
Aposta – Spike Jonze, por Ela.

Ela é um dos melhores filmes entre os indicados nesse Oscar, sem dúvida, e Spike Jonze vem sendo agraciado na categoria de Roteiro Original em outras premiações. Mas não se surpreendam caso ocorra uma Trapaça na cerimônia.

Melhor Roteiro Adaptado:

Torcida – Ethan Hawke, Julie Delpy e Richard Linklater, por Antes da Meia-Noite.
Aposta – John Ridley, por 12 Anos de Escravidão.

Ver Antes da Meia-Noite sendo premiado é apenas um sonho, infelizmente. 12 Anos de Escravidão não foi indicado ao Writers Guild Awards, mas única e exclusivamente porque existe uma regra dizendo que apenas membros do sindicato podem ser lembrados. Sendo assim, lá até pode dado Capitão Phillips, mas no Oscar quem está chegando mais forte é o filme de Steve McQueen.

Melhor Animação:

Aposta – Frozen: Uma Aventura Congelante.

Hayao Myiazaki se aposentou, e até por isso seria interessante ver seu último filme, Vidas ao Vento, ser agraciado. Mas será uma grande surpresa se o magnífico Frozen perder nessa categoria. E acreditem, este será o primeiro Oscar de Melhor Animação da história da Disney.

Melhor Filme Estrangeiro:

Torcida – A Caça (Dinamarca).
Aposta – A Grande Beleza (Itália).

A Caça é um soco no estômago do espectador, assim como o excelente Alabama Monroe. Mas A Grande Beleza é que vem vencendo vários prêmios e chamando mais atenção em outras premiações. No Oscar isso também deve acontecer.

Melhor Direção de Fotografia:

Torcida – Roger Deakins, por Os Suspeitos.
Aposta – Emmanuel Lubezki, por Gravidade.

Emmanuel Lubezki certamente ficará com essa estatueta. E merecidamente, considerando que a fotografia de Gravidade é nada menos do que espetacular. Minha torcida por Roger Deakins em Os Suspeitos se deve não só por ser um trabalho excepcional (em um filme idem), mas também porque é sua 11ª indicação ao Oscar, sendo que ele nunca venceu, e estamos falando de um dos melhores diretores de fotografia em atividade.

Melhor Montagem:

Torcida – Christopher Rouse, por Capitão Phillips.
Aposta – Alan Baumgarten, Jay Cassidy e Crispin Struthers, por Trapaça.

A tensão crescente de Capitão Phillips (e que chega ao ápice no terceiro ato do filme) se deve em boa parte a belíssima montagem de Christopher Rouse. Mas o filme não deve ter tantas chances por aqui, e Gravidade surge como um forte candidato. Mesmo assim, apostarei minhas fichas na zebra, Trapaça.

Melhor Design de Produção:

Torcida – Andy Nicholson, Rosie Goodwin e Joanne Woolard, por Gravidade.
Aposta – Catherine Martin e Beverley Dunn, por O Grande Gatsby.

O carnaval interessantíssimo do filme de Baz Luhrmann aparece como um forte candidato ao prêmio. Mas não seria nada mal ver o espaço sideral de Gravidade ou o futuro próximo de Ela vencendo.

Melhor Figurino:

Torcida – Catherine Martin, por O Grande Gatsby.
Aposta – Patricia Norris, por 12 Anos de Escravidão.

Categoria que geralmente é dominada por filmes de época. Aqui jogo as fichas em 12 Anos de Escravidão, ainda que O Grande Gatsby aparente ter mais chances.

Melhor Maquiagem e Penteados:

Torcida – Adruitha Lee e Robin Mathews, por Clube de Compras Dallas.
Aposta – Adruitha Lee e Robin Mathews, por Clube de Compras Dallas.

Seria triste ver uma porcaria como Vovô Sem Vergonha ganhando um Oscar. Mas, felizmente, Clube de Compras Dallas surge como favorito pelo belíssimo trabalho feito com Matthew McConaughey e Jared Leto, principalmente quando os personagens deles surgem extremamente debilitados pela AIDS.

Melhor Trilha Musical:

Torcida – Steven Price, por Gravidade.
Aposta – Steven Price, por Gravidade.

Steven Price colocou seu nome no mapa com Gravidade e aparece como franco favorito em cima de caras experientes como Thomas Newman, Alexandre Desplat e o grande John Williams.

Melhor Canção Original:

Torcida – Kristen Anderson-Lopez e Robert Lopez, por “Let It Go”, de Frozen.
Aposta – Kristen Anderson-Lopez e Robert Lopez, por “Let It Go”, de Frozen.

“Let It Go” é linda. Repito: “Let It Go” é linda. E espero que ganhe, ainda que os caras do U2 surjam fortes com sua “Ordinary Love”, de Mandela.

Melhor Mixagem de Som:

Torcida – Skip Lievsay, Niv Adiri, Christopher Benstead e Chris Munro, por Gravidade.
Aposta – Skip Lievsay, Niv Adiri, Christopher Benstead e Chris Munro, por Gravidade.

É praticamente certo que Gravidade dominará os prêmios técnicos. E nem preciso dizer que será mais do que merecido.

Melhor Edição de Som:

Torcida – Glenn Freemantle, por Gravidade.
Aposta – Glenn Freemantle, por Gravidade.

Leia o comentário da categoria anterior.

Melhores Efeitos Visuais:

Torcida – Timothy Webber, Chris Lawrence, David Shirk e Neil Corbould, por Gravidade.
Aposta – Timothy Webber, Chris Lawrence, David Shirk e Neil Corbould, por Gravidade.

Mesma coisa das categorias de som. Se Gravidade perder uma dessas será uma surpresa enjoativa. Os efeitos visuais do filme, em particular, são geniais.

Melhor Documentário:

Torcida – O Ato de Matar.
Aposta – O Ato de Matar.

O Ato de Matar é poderosíssimo, mas é também um filme com um conteúdo pesado e difícil de digerir, e apostar nele nessa categoria não deixa de ser um risco, já que o Oscar muitas vezes prefere produções mais leves. Foi assim no ano passado, por exemplo. Mas vejamos como será dessa vez.

Melhor Curta-Documentário:

Torcida – É sempre muito difícil ver os filmes das categorias de curtas-metragens, e esse ano não foi diferente. Vou torcer pela minha aposta/chute.
Aposta – The Lady in Number 6.

Melhor Curta-Metragem:

Torcida – Mesma coisa da categoria anterior.
Aposta – Helium.

Melhor Curta de Animação:

Torcida – Mr. Hublot.
Aposta – Hora de Viajar.

Aqui deu pra ver alguns dos filmes, e Mr. Hublot é excelente, com uma história sensível e um design de produção maravilhoso. Mas aposto em Hora de Voltar (exibido antes das sessões de Frozen), curta divertidíssimo da Disney e que faz um uso interessante do 3D.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Riddick 3

Richard B. Riddick era o melhor personagem da eficiente ficção científica Eclipse Mortal, filme no qual dividia as atenções com outras figuras de menor destaque. Mas Vin Diesel e os produtores do filme resolveram levar adiante a ideia de uma franquia para o personagem. Tal decisão infelizmente rendeu A Batalha de Riddick, que se preocupou muito mais em ter uma escala grandiosa, com toneladas de efeitos visuais, do que em desenvolver uma história interessante (o próprio protagonista chegou a ser um tanto aborrecido nessa continuação). Com a decepção que esse filme provocou, foram necessários quase dez anos para que alguém quisesse trazer Riddick de volta às telonas, o que acontece neste Riddick 3.

Escrito e dirigido por David Twohy (retornando às mesmas funções que exerceu nos episódios anteriores), Riddick 3 coloca o anti-herói isolado em um planeta desconhecido depois de quase ser morto pelos Necromongers, povo do qual ele se tornou rei no filme anterior. Enfrentando uma série de animais selvagens, Riddick busca uma forma de sair daquele lugar. Essa possibilidade surge ao acionar um sinal de emergência em uma estação. Nisso, um grupo de caçadores de recompensa e outro de mercenários aparecem em seu encalço, sendo que o líder de um deles é ligado a um velho conhecido.
Riddick 3 lembra muito Eclipse Mortal, com o protagonista explorando o universo no qual se encontra e sendo obrigado a encarar alguns perigos para sobreviver. As semelhanças ficam ainda mais evidentes depois que Riddick encontra os grupos que querem pegá-lo, com o roteiro até adotando uma estrutura formulaica, com vários personagens morrendo até que sobre apenas aqueles realmente importantes. Mas, mesmo se eximindo de apresentar algo novo, David Twohy aproveita a oportunidade para criar sequências de tensão, o que faz com competência, principalmente na segunda metade da história, quando os personagens passam a ser atacados por várias criaturas que surgem de onde menos esperamos. Além disso, o design de produção e a fotografia de David Eggby fazem um bom trabalho com relação ao visual do planeta onde a história se passa, ressaltando toda a escassez do lugar.
No entanto, Riddick 3 ainda assim tem problemas que tiram boa parte do interesse que o público poderia ter na história. Os primeiros minutos do filme, por exemplo, contam com uma narração em off de Riddick que mostra de um jeito bem expositivo seu pensamento diante da situação que está passando, além de vermos uma sequência na qual Twohy explica displicente e superficialmente o que aconteceu entre o protagonista e os Necromongers para que ele tenha sido abandonado. Outro grave problema é a monotonia que domina a primeira metade da trama, com o protagonista quase ficando de lado a partir de determinado momento para que os caçadores de recompensas e os mercenários possam ser apresentados. O que só piora as coisas, graças ao fato de nenhum desses personagens ser muito interessante. E o roteiro também investe em coincidências batidas demais, como quando o líder dos caçadores, Santana (Jordi Mollà), está prestes a matar alguém, mas é parado no momento certo por um elemento inesperado.
Mesmo sendo problemático, Riddick 3 ao menos se revela um pouco melhor do que A Batalha de Riddick, trazendo ainda um Vin Diesel confortável interpretando um de seus principais personagens. Mas considerando que as continuações não estão conseguindo ser tão boas quanto Eclipse Mortal, devo dizer que não será de todo ruim se as aventuras de Riddick se encerrarem por aqui.
Nota:

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Tudo Por Um Furo

O Âncora foi uma comédia da qual ninguém esperava grande coisa, mas acabou surpreendendo com suas ótimas tiradas e um elenco carismático liderado por Will Ferrell no papel de Ron Burgundy. Tal sucesso refletiu nas bilheterias americanas, mas infelizmente o resto do mundo não caiu muito de amores pela produção. O resultado foi o fracasso no mercado internacional, incluindo no Brasil. Quase dez anos após o lançamento, Ferrell e companhia retornam nesta continuação que ganhou em nossas terras o título de Tudo Por Um Furo, em uma tentativa de fazer com que ela seja mais bem sucedida que o primeiro filme, não tendo qualquer referência explícita de que se trata de uma nova história com os mesmos personagens.

Escrito pelo próprio Will Ferrell e pelo diretor Adam McKay, Tudo Por Um Furo nos coloca na Nova York de 1979. Ao lado de sua agora esposa Veronica Corningstone (Christina Applegate), Ron Burgundy apresenta o telejornal de uma das maiores redes de televisão do país. Mas depois que o principal âncora do canal, Mack Tannen (Harrison Ford), decide se aposentar, este resolve promover Veronica e despedir Ron, deixando-o com inveja a ponto de abandonar a esposa e o filho, Walter (Judah Nelson). É quando recebe a proposta de recomeçar tudo em outro canal, o The Global News Network (GNN), trazendo de volta seu velho time formado por Brian Fantana (Paul Rudd), Brick Tamland (Steve Carrell) e Champ Kid (David Koechner).
Mantendo o tom escrachado que aparecia no filme anterior, Tudo Por Um Furo faz de tudo para levar o espectador ao riso. No entanto, diferente do que acontecia antes, quando as risadas surgiam com naturalidade, dessa vez é possível ver que em alguns momentos todos os envolvidos estão desesperados para alcançarem seu objetivo. Em cenas que foram claramente improvisadas no set, Adam McKay e o elenco deixam clara a intenção de incluir certas piadas no filme custe o que custar, e infelizmente nem sempre conseguem fazer com que elas funcionem. Um bom exemplo são àquelas em que Ron fica encarando seu rival, Jack Lime (James Marsden).
Mesmo assim, ao longo da projeção o filme tem belas sacadas e consegue divertir com seus personagens. É engraçado ver, por exemplo, a cena em que Ron e sua equipe precisam pensar nas notícias que colocarão em sua transmissão e vetam uma que fala sobre a China estar se tornando uma superpotência econômica, já que isso é considerado improvável. Ferrell e McKay também não temem se repetir no roteiro, inserindo um combate entre várias equipes de telejornal que é praticamente igual a uma das melhores cenas de O Âncora, ficando diferente (e até mais engraçada) pelo fato de as participações especiais de alguns atores famosos serem totalmente inesperadas, como a de uma certa atriz ganhadora do Oscar. Mas nada supera o pequeno acidente que Ron e seus amigos sofrem em um trailer, quando McKay faz uso do slow motion de maneira absolutamente hilária.
Mas o que tira mesmo alguns pontos de Tudo Por Um Furo é a dedicação do roteiro a determinadas subtramas que não são tão interessantes. Se por um lado Ferrell e McKay acertam ao trazer um romance entre Brick e Chani (Kristen Wiig), uma secretária da GNN que, apesar de clichê, é responsável por algumas boas risadas, por outro erram ao apostar na relação pai e filho entre Ron e Walter, que é desenvolvida rasamente e só ganha mais atenção depois da metade do filme, quando se torna um ponto importante da trama. O mesmo pode ser dito sobre a parte em que Ron tem um problema que o deixa debilitado, o que soa um tanto desnecessário e rende momentos muito exagerados.
De qualquer forma, Tudo Por Um Furo nunca chega a ficar entediante, e isso se deve também ao elenco, que volta a interpretar seus personagens com o mesmo carisma visto antes, além de terem uma dinâmica divertida de se acompanhar. Assim, o filme pode até ser um pouco inferior ao seu antecessor, mas ainda assim representa um bom reencontro com Ron Burgundy e sua equipe.
Nota:

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Um Conto do Destino

Baseado no livro de Mark Helprin, Um Conto do Destino se passa majoritariamente em 1916 e conta a história de Peter Lake (Colin Farrell), ladrão que ao invadir uma mansão, achando que não há ninguém por ali, conhece a bela Beverly Penn (Jessica Brown Findlay), que está morrendo por causa da tuberculose. Eventualmente os dois se apaixonam, mas Peter está com problemas com seu antigo chefe, Pearly Soames (Russell Crowe), que, além de ser algo mais assustador do que aparenta, quer acabar com sua vida e as de quaisquer outras pessoas ao seu redor.

Estreia do roteirista picareta Akiva Goldsman como diretor, Um Conto do Destino se revela um teste de paciência para o espectador. Sendo um romance com uma boa dose de fantasia, o filme já falha no modo como apresenta seu universo, já que é um tanto ridículo quando surgem os elementos mais fantásticos, como o cavalo mágico que salva Peter dos capangas de Pearly ou a verdadeira natureza de um personagem. No entanto, esse é apenas um dos problemas da narrativa, e nem é o mais grave. O roteiro (também assinado por Goldsman) adota uma estrutura que não é funcional para a história, iniciando a o filme intercalando cenas que se passam em 1895 (com os pais de Peter), 1916 e 2014 (onde vemos o protagonista investigando seu passado), sendo que essa parte do futuro não só faz a trama ficar um pouco previsível como ainda é mostrada novamente mais tarde, o que faz sua presença no início ser totalmente desnecessária.

Como se não bastasse, o diretor não consegue criar um pingo de tensão durante o filme, o que era necessário para que algumas cenas funcionassem, e ainda faz de tudo para nos levar às lágrimas, dando um tom excessivamente sentimental a narrativa e usando até uma trilha melosa (que surpreendentemente foi composta em parte por Hans Zimmer). Mas isso mais irrita do que ajuda a tornar o filme envolvente. Além disso, alguns dos diálogos que Goldsman inclui no roteiro chegam a doer nos ouvidos de tão ruins, como quando Peter e o pai de Beverly, Isaac (William Hurt), discutem a pronúncia de certas palavras, ou a primeira conversa entre o protagonista e sua amada.

Nem o elenco, cheio de grandes nomes, se salva. Colin Farrell e Jessica Brown Findlay se esforçam, mas não conseguem fazer de Peter e Beverly figuras interessantes pelas quais possamos nos importar, o que consequentemente tira o impacto de determinados momentos. Farrell, aliás, não deixa de ser um exemplo de miscast, considerando que Peter deveria ter cerca de 20 anos e o ator não convence como alguém mais jovem. E se Jennifer Connelly não tem muito o que fazer em cena, Will Smith surge no puro overacting interpretando um tal de Juíz, ao passo que a veterana Eva Marie Saint tem em mãos uma personagem que talvez nem devesse estar viva quando aparece, em uma das coisas que Akiva Goldsman força para atender as necessidades de seu roteiro. Mas quem surpreende mesmo é Russell Crowe, que aqui investe numa composição incrivelmente caricatural no papel de Pearly Soames, tendo a pior atuação de sua carreira (a cena em que o personagem aparece bêbado no início é constrangedora).

Bobo e chato ao longo de suas duas horas de duração, Um Conto do Destino prova que se Akiva Goldsman já não era um roteirista digno de admiração, como diretor ele realmente não leva jeito.