sexta-feira, 7 de setembro de 2012

ParaNorman

O estúdio de animação Laika parece estar se especializando em fazer filmes em stop-motion que tenham toques macabros, ao mesmo tempo em que divertem com suas histórias. Cinco anos após o sucesso do excelente Coraline e o Mundo Secreto, o estúdio retorna com ParaNorman, uma animação que pega vários elementos do gênero terror (zumbis, bruxas, maldições) para criar uma história interessante, e que mescla muito bem momentos de diversão com momentos de maior tensão.
Escrito por Chris Butler, que co-dirigiu o filme ao lado de Sam Fell, ParaNorman pega a premissa de O Sexto Sentido e desenvolve uma trama envolvente de zumbis e maldições. Na cidade de Blithe Hollow, o jovem Norman (voz na versão original de Kodi Smit-McPhee) pode falar com os mortos. No entanto, quase ninguém acredita que o garoto tenha esse dom e por isso ele é tratado como um estranho, inclusive por sua família. O único que realmente acredita nele é seu novo amigo, Neil (Tucker Albrizzi). Depois da morte de seu tio, o Sr. Prenderghast (John Goodman), Norman ganha a tarefa de proteger Blithe Hollow de uma maldição da bruxa Agatha (Jodelle Ferland), que pode acordar alguns zumbis. Mas ele acaba falhando e os monstros vêm assombrar as pessoas.
ParaNorman já começa interessante ao incluir a vinheta de Feature Presentation, como se estivéssemos prestes a entrar em um universo criado por Quentin Tarantino. Logo depois, passa para um filme de zumbi que parece ter sido gravado com uma câmera Super 8. Com isso, somos apresentados ao interesse do protagonista em filmes de terror, o que ainda fica bastante claro pelo quarto dele, que é enfeitado pela direção de arte com várias referências a zumbis, desde um abajur até imagens coladas nas paredes. Norman ainda tem como toque de celular a trilha sonora de Halloween, o que é divertido de se ver. Isso é apenas uma das várias referências que a dupla de diretores fazem a filmes de terror, sendo que eles ainda incluem uma trilha sonora que lembra bastante as produções do gênero feitas na década de 1980. Até o velho clichê da figura que aparece e some de uma hora para outra surge aqui de maneira divertida.
Apesar de parecido com Cole Sears (personagem de Haley Joel Osment em O Sexto Sentido), Norman difere daquele garoto no fato de não sentir medo do próprio dom. Na verdade, por ele ser um garoto solitário, os mortos são os únicos com quem ele se sente confortável, já que eles não o discriminam por ele ser diferente das outras pessoas. A cena em que Norman conversa com vários espíritos nas ruas (ou falando sozinho, como as pessoas comuns veem) talvez seja o maior exemplo dessa confortabilidade e também de sua solidão. E é um pouco irônico ver que ele pode não sentir medo dos mortos, mas teme um pouco os vivos, como quando ele olha com tristeza os vários colegas pelos quais ele tem que passar para chegar à porta do colégio.
Mesmo que estejam fazendo um filme que tem como principal alvo o público infantil, Chris Butler e Sam Fell não temem incluir cenas mais tensas, algo que o diretor Henry Selick fez em Coraline, ainda que em comparação com aquele filme a dupla de ParaNorman pegue bem mais leve. Nesse sentido, as alucinações que Norman tem ao longo do filme conseguem trazer uma atmosfera angustiante, assim como quando uma floresta começa a se mexer contra os personagens (em uma cena que me lembrou um pouco The Evil Dead). Mas a parte mais sombria do filme reside em sua vilã e suas motivações, que poderiam muito bem fazer parte de um filme terror comum com elementos de bruxaria.
Ao longo do filme, os diretores não ficam investindo em gags o tempo todo (como acontece no divertido Piratas Pirados!), inserindo-as quando surge uma oportunidade, o que ameniza a tensão em volta da situação em que os personagens se encontram. São gags eficientes, como quando um carro capota várias vezes para desespero de seus passageiros ou quando Mitch (Casey Affleck), irmão de Neil, revela algo sobre si mesmo. Mas a cena mais divertida de ParaNorman acontece quando o protagonista tenta pegar um livro preso nas mãos do cadáver de seu tio, fazendo rir por ser uma situação bastante nojenta.
Tendo personagens muito carismáticos, ParaNorman peca por não conseguir impedir que sua história se torne um pouco previsível ao longo da projeção. Mas é uma animação eficiente e que coloca a Laika como uma empresa que pode fazer frente a outros grandes estúdios.
Cotação:

sábado, 1 de setembro de 2012

Os Mercenários 2

Vejamos alguns dos nomes que estão no elenco de Os Mercenários 2: Sylvester Stallone, Jet Li, Dolph Lundgreen, Arnold Schwarzenegger, Bruce Willis, Chuck Norris, Jean-Claude Van Damme. Todos são grandes astros do gênero ação, ainda que boa parte deles já não faça mais tanto sucesso como faziam nas décadas de 1980 e 1990. Não é sempre que se vê figuras como essas estrelando a mesma produção, e esse é o grande atrativo dessa franquia. Os Mercenários 2 é até mais interessante do que seu antecessor, mas ainda assim não chega a ser um filme que faz jus a fama que seus astros conquistaram ao longo dos anos.
Escrito por Sylvester Stallone e Richard Wenk, com argumento deste último em parceria com Ken Kaufman e David Agosto, Os Mercenários 2 traz os homens liderados por Barney Ross (Stallone) em mais uma missão proposta por Church (Bruce Willis). O objetivo: encontrar um aparelho que pode localizar uma mina de plutônio. Mas o líder do grupo terrorista “The Sangs”, Jean Vilain (Van Damme, em um personagem que não poderia ter um sobrenome mais óbvio), também está atrás do objeto, e por isso mata um dos homens de Barney. Agora, o grupo quer vingar o amigo, e contará com toda a ajuda possível para isso.
O roteiro não perde tempo e inicia o filme com ação desenfreada, em uma missão dos personagens no Nepal. Já nessa parte, o diretor Simon West apresenta um problema de sua direção que infelizmente percorrerá ao longo de boa parte do filme. O diretor e seu montador Todd E. Miller investem em muitos cortes durante as cenas de ação, e às vezes isso acaba deixando o que acontece um pouco incompreensível, tornando-as menos empolgantes do que poderiam ser.
Mas o diretor ainda consegue fazer cenas eficientes, como o confronto entre Yin Yang (Jet Li) e alguns capangas logo no início do filme, que ainda lembra um pouco as produções estreladas por Jackie Chan, graças ao uso de alguns objetos de cena. E a esperada luta entre Stallone e Van Damme é interessante enquanto dura, colocando os atores desferindo golpes que os tornaram famosos em seus filmes. Se Stallone dá alguns socos como se fosse Rocky Balboa, Van Damme manda seu famoso chute de 360°. Ainda que não consiga empolgar muito com as cenas que constrói, Simon West ao menos impõe um ritmo que prende a atenção, fazendo com que o filme não se torne algo aborrecido ao longo de seus 102 minutos de duração.
O roteiro de Os Mercenários 2 procura fazer algumas homenagens aos personagens que levaram alguns de seus astros a fama. Então, há várias referências a filmes estrelados por eles, o que vai desde o apelido que Barney Ross usa ao se referir a Booker (Chuck Norris) até certas falas de Trench (Schwarzenegger) e Church. Apesar de não surgirem no filme de maneira muito orgânica, essas homenagens são divertidas de se ver em cena.
Mas não é só com essas homenagens que o roteiro tenta divertir, procurando fazer várias gags ao longo da história. O problema é que em alguns momentos os roteiristas parecem estar desesperados para fazer o público rir, mas não têm muita criatividade para isso. Sendo assim, nem sempre eles são bem sucedidos nessa área. Em determinado momento, eles chegam a incluir a velha piada da bomba que parece que vai explodir, mas que acaba soltando apenas faíscas. No meio de tantas gags, não chega a ser surpreendente que a melhor piada do filme caia nas mãos de Chuck Norris, que inclui mais um detalhe para sua fama de indestrutível, como foi apontado nos famosos “Chuck Norris Facts”.
Com tantos personagens no filme, é uma pena que nem todos tenham muito espaço na história. Chuck Norris, Arnold Schwarzenegger e Bruce Willis basicamente aparecem apenas quando necessário (ou seja, nas cenas de ação), fazendo mais participações especiais do que sendo membros ativos do filme. Nem Jean-Claude Van Damme tem tempo de fazer de Jean Vilain um vilão realmente ameaçador (de qualquer forma, a criança que ainda existe dentro de mim vibrou com cada aparição sua, já que ele é um ídolo de infância). Enquanto isso, o Yin Yang de Jet Li é descartado logo no início do filme, e os outros personagens nem dão falta de sua ausência. O pouco tempo de tela dessas figuras é lamentável por que todos trazem uma presença interessante para seus personagens, e seria bom vê-los mais vezes no filme.
No resto do elenco, Sylvester Stallone lidera o grupo com competência, enquanto que Jason Statham volta a fazer de Lee Christmas um personagem badass. Já Liam Hemsworth tem uma participação marcante ao fazer de Billy The Kid uma figura carismática, o que acaba sendo importantíssimo para a história. E representando o sexo feminino no filme, a chinesa Nan Yu consegue fazer de Maggie uma personagem forte e digna de confiança.
Mesmo não sendo um grande filme, Os Mercenários 2 é uma produção eficiente, e acaba sendo algo agradável de se assistir em boa parte por causa do elenco que tem. Um terceiro capítulo vem aí, mas espero que seja algo mais interessante do que apenas mais uma reunião de grandes astros de filmes de ação.
Cotação:

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Intocáveis

Philippe (François Cluzet) é um homem rico que ficou tetraplégico após um acidente que sofreu fazendo parapente, um de seus esportes favoritos. Precisando de cuidados, ele contrata Driss (Omar Sy), que além de fazer parte de uma classe social oposta a sua e ter uma personalidade completamente diferente, ainda não tem experiência alguma quanto a cuidar de pessoas como ele. Mas os dois acabam formando uma bela amizade, aprendendo muito um com o outro.
Baseado em uma história real, Intocáveis à primeira vista parece ser um filme que se entregará a um melodrama irritante em algum momento, assim como acontece com muitos filmes. Mas a produção dirigida pela dupla Olivier Nakache e Eric Toledano surpreende ao ser um drama com bons toques de comédia, resultando em uma experiência gostosa, leve e divertida ao lado de seus ótimos personagens, justificando o porquê de esse filme ter sido a maior bilheteria na França ano passado.
Iniciado em uma pequena perseguição que a dupla de protagonistas cria apenas para se divertir e relaxar, o filme segue a estrutura comum de começar em algum ponto futuro e logo depois mostrar como a história chegou naquele momento. Talvez aí resida um dos problemas que mais incomodam em Intocáveis: não há motivo aparente para que o filme se estruture dessa forma. Afinal, não é um ponto exatamente curioso ou impactante (os personagens não estão passando por nenhum tipo de problema) para que surja um mistério em torno de tudo que aconteceu até ali.
Problemas de estrutura à parte, o filme conquista o espectador com o carisma de seus personagens. Sendo um ser humano muito dependente de outras pessoas, Philippe surpreende ao não ser uma figura ranzinza, que tem a morte como maior desejo ou trata sua deficiência apenas como uma maldição que lhe causa vergonha. Ao invés disso, o personagem surge sempre simpático e de bom humor, tentando aproveitar a vida mesmo com sua limitação, que não o impede de ter um romance através de cartas ou continuar praticando parapente.
Já Driss inicialmente parece ser um bon vivant, querendo viver apenas às custas do auxílio desemprego. No entanto, ao começar a cuidar de Philippe, ele gradualmente começa a ganhar a confiança não só do espectador, mas também de outros personagens do filme, como os empregados de Philippe, além de se tornar uma pessoa mais responsável. O motivo para o porquê de Driss ter sido contratado para o cargo de ajudante é um tanto óbvio, mas bastante apropriado: “Ele não tem compaixão”, diz Philippe. É uma pena que o roteiro mostre que Driss tem alguns problemas na família, mas não os desenvolva muito bem, não deixando claro nem que tipo de encrenca o irmão do personagem entra em determinado momento.
Tanto François Cluzet quanto Omar Sy aparecem carismáticos interpretando os protagonistas. Exibindo uma belíssima química em cena, os atores colecionam ótimos momentos ao longo do filme, como quando Philippe e Driss saem no meio da noite para tomar um ar. Mas a dupla também capricha em seu timing cômico, e diversão é o que não falta em Intocáveis. A cena em que Driss começa as fazer “experiências” nas pernas de Philippe é um dos momentos mais divertidos do filme, ao lado da sequência que mostra vários tipos de bigodes em um dos personagens.
Olivier Nakache e Eric Toledano comandam o filme com grande sensibilidade, algo que não é quebrado mesmo quando os diretores investem puramente na comédia. O roteiro escrito por eles mesmos parece ir em direção a uma espécie de conflito desnecessário entre os dois personagens, o que acontece bastante em filmes que contam com duas figuras com personalidades totalmente diferentes. Mas Nakache e Toledano surpreendem ao nunca levar sua história por esse caminho, que ainda transformaria o filme em algo bastante formuláico e clichê.
Os diretores também conseguem fazer um belo contraste entre os lares dos personagens. Se a casa de Philippe surge luxuosa, sempre limpa e organizada, o mesmo não pode ser dito quanto a casa de Driss, um lugar onde ele não consegue nem tomar um banho de banheira tranquilamente, graças a bagunça que toma conta da casa. É algo que revela muito sobre a natureza dos dois personagens, mostrando o quão diferentes eles são.
Devo dizer que não era nenhum pouco familiarizado com o trabalho de Olivier Nakache e Eric Toledano. Intocáveis é uma grata surpresa e, mesmo tendo um título como esse, é um filme tocante, além de ser tão simpático quanto seus personagens.
Cotação:

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

O Vingador do Futuro

Até pouco tempo atrás, O Vingador do Futuro não era um filme do qual eu tinha boas recordações. Sendo um dos clássicos de Paul Verhoeven, resolvi dar uma segunda chance ao filme antes de assistir a este remake dirigido por Len Wiseman (diretor dos dois primeiros Anjos da Noite e do ótimo Duro de Matar 4.0). A segunda visita mostrou que eu estava enganado, e vi que Verhoeven fez uma obra interessante, com uma história envolvente e que ainda tinha em Arnold Schwarzenegger um protagonista bastante carismático. Este remake é diferente do primeiro filme, ainda que conte basicamente a mesma história. Ao longo de suas duas horas de duração mostra ser um filme de ação até eficiente, mas ainda inferior ao que Verhoeven havia feito antes.
Baseado no conto de Philip K. Dick, o roteiro escrito por Mark Bomback e Kurt Wimmer se passa em um planeta Terra considerado inabitável, com exceção de dois lugares: a Federação Unida da Bretanha (ou FUB) e a Colônia. No meio disso, o operário Douglas Quaid (Colin Farrell) tenta viver da melhor maneira possível ao lado da esposa, Lori (Kate Beckinsale). Tento sonhos estranhos com uma misteriosa mulher (Jessica Biel), ele vai à empresa Rekall com o desejo de ter memórias interessantes como um espião, ainda que essas memórias sejam falsas. Mas algo dá errado e ele se vê no meio de uma trama conspiratória envolvendo o mandante da FUB, Cohaagen (Bryan Cranston) e os rebeldes da Colônia, além de descobrir que sua memória foi apagada e ele não é a pessoa que pensa ser.
Este novo O Vingador do Futuro faz algumas mudanças com relação ao filme de 1990, sendo que duas são sentidas logo de cara: o nível de violência não chega nem perto daquilo que Paul Verhoeven havia feito, e os personagens não vão a Marte. Mas apesar de serem grandes mudanças, não chegam a atrapalhar na proposta deste remake. De qualquer forma, Len Wiseman tenta de vez em quando fazer algumas homenagens ao primeiro filme, como ao incluir uma cena em que Douglas Quaid usa um elevador para derrotar seu adversário (no caso, um robô), algo parecido com o que havia acontecido com Richter, personagem de Michael Ironside na primeira versão. Mas, em alguns momentos, a preocupação em manter algumas coisas do primeiro filme é tão grande que o roteiro não hesita em trazer de volta a famosa “mulher de três peitos”. No entanto, ela surge deslocada e completamente fora de contexto, já que o filme não trás de volta os mutantes, que antes faziam a presença da personagem ser bastante comum.
O design de produção de Patrick Tatopoulos é bastante eficiente no sentido de conseguir diferenciar muito bem a FUB da Colônia. A primeira aparece como uma grande metrópole, com prédios grandes e limpos, usando as melhores tecnologias possíveis. Já a segunda parece uma junção de várias favelas, tudo muito apertado, onde as pessoas ainda usam barcos para se transportar. Já a direção de arte consegue mostrar que Douglas Quaid se transformou em uma pessoa oposta aquela que costumava ser. Se antes ele morava em um belo e aconchegante apartamento na FUB (o que deixa claro a classe social a qual ele pertencia), em sua nova vida ele é infeliz em um lugar sem muita expressão.
Ao longo do filme, Len Wiseman consegue fazer com que as cenas de ação prendam a atenção do espectador. São momentos envolventes, ainda que pouco empolgantes. Wiseman conduz bem essas cenas, que vão desde perseguições até lutas. O primeiro confronto entre Quaid e Lori, em particular, é interessante, assim como uma briga que acontece dentro de um elevador. Tais cenas ainda têm o uso dos bons efeitos visuais, que ainda ajudam a dar o clima futurístico do filme. Infelizmente, se Wiseman dirige bem essas cenas, o mesmo não pode ser dito sobre a história em si, que parece ser conduzida sem muita segurança, contando com um ritmo bastante irregular.
O talentoso Colin Farrell (que parece estar gostando de colocar seu rosto em remakes, tendo feito A Hora do Espanto no ano passado) consegue segurar bem o filme. Se torcemos por Douglas Quaid ao longo da história, isso se deve a atuação do ator. Surgindo carismático e atento a tudo em cena, Farrell não deixa nada a desejar se comparado a Arnold Schwarzanegger. Enquanto isso, Kate Beckinsale não transforma Lori em uma real ameaça, ao passo que Jessica Biel não consegue fazer de Melina uma figura interessante. Já Bryan Cranston (um grande ator, como já comentei outras vezes) pouco pode fazer com Cohaagen, um vilão que de tão inteligente coloca Quaid para trabalhar em uma fábrica que produz exatamente os robôs que irão persegui-lo mais tarde, fazendo o protagonista saber quais são os pontos fracos deles.
Não deixando nem mesmo dúvidas se tudo o que acontece não passa de uma falsa lembrança de Quaid na Rekall, este novo O Vingador do Futuro não tem nada que seja realmente marcante. É mais um remake que não consegue bater o original.
Cotação:

sábado, 18 de agosto de 2012

"Eu curto Nicolas Cage"


Acho que muitos vão me chamar de louco pelo que vou dizer, mas não me importo: eu curto Nicolas Cage. É um ator que sempre achei interessante. Sim, de cada dez filmes que ele faz atualmente, oito são ruins. Sim, nesses filmes ele não tem boas atuações, se entregando ao overacting ou surgindo no piloto-automático. Mas ver o cara em ação ainda pode ser algo divertido, mesmo que às vezes seja de um jeito involuntário. Além disso, ignorando as produções rasteiras que ele vem fazendo (como O Vidente, Reféns, Perigo em Bangkok, Fúria Sobre Rodas e O Sacrifício) e considerando apenas as produções realmente interessantes (como Kick-Ass, Vício Frenético e Presságio), o sobrinho de Francis Ford Coppola mostra que ainda consegue ser um bom ator, lembrando os tempos em que fez filmes como Despedida em Las Vegas (que lhe rendeu um merecido Oscar), Coração Selvagem e Adaptação.
Os projetos fracos em que Nicolas Cage vem se metendo começaram a surgir com mais frequência a partir de 2006, depois que ele se encrencou com a Receita Federal. Cage, infelizmente, é louco em termos de gastos, sendo dono de várias mansões, carros e muitas outras coisas. O ator parece não ter limites com relação ao dinheiro que ganha. Muitas das produções duvidosas em que ele embarca são puramente para ele poder quitar suas dívidas. Talvez ele não precisasse se afundar tanto (afinal, estamos falando de um ator que ainda é respeitado na indústria), mas mesmo assim ele participa de filmes que poderiam ir direto para o mercado de home video caso não tivessem seu nome acima do título.
Por causa de suas escolhas, Nicolas Cage já virou motivo de piada. O College Humor, por exemplo, fez um vídeo hilário que mostra como é difícil ser agente do ator e guia-lo pelas várias propostas que ele recebe, já que Cage aceita todos os projetos que lhe propõem. Já o site The Onion fez um vídeo chamado “O Homem Dentro de Nicolas Cage” no qual o ator é apenas um fantoche controlado por um titereiro, que agora está lançando um livro sobre a experiência de ser o homem dentro de Nicolas Cage (infelizmente, não encontrei versões legendadas para nenhum dos vídeos, que podem ser conferidos logo abaixo). Mas o legal é ver que Cage tem consciência do momento em que está. O programa humorístico Saturday Night Live tem um quadro chamado “Get in the Cage”, no qual o ator é interpretado por Andy Samberg. É basicamente uma sátira a tudo o que ele vem fazendo. Em um dos episódios, o próprio Nicolas Cage participa e ajuda a satirizar a si mesmo (clique aqui para ver o vídeo).


Mesmo nessa fase desconfortável, Nicolas Cage ainda consegue papéis em filmes interessantes, e isso proporciona um alívio para quem gosta de ver o ator em sua boa forma. Entre seus próximos projetos, por exemplo, temos Kick-Ass 2: Balls to the Wall, onde ele voltará a interpretar Damon Macready (em um provável flashback). Outro projeto aguardado é Frank or Francis, musical dirigido por ninguém menos que Charlie Kaufman, que arrancou elogios com sua estreia na direção em Sinedóque, Nova York, além de ser o roteirista de filmes como Quero Ser John Malkovich, Adaptação e Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças.
Enfim, Nicolas Cage ainda é capaz de fazer bons filmes, mesmo que homeopaticamente. Espero que suas dívidas acabem em algum momento e ele pare (pelo menos um pouco) de fazer filmes que não merecem ter seu nome nos créditos.

sábado, 11 de agosto de 2012

Personagens Marcantes - Marty McFly e Dr. Emmett Brown

Viagens no tempo são interessantes. Não digo no sentido de voltar para uma época e tentar mudar algo que fez (nunca se sabe que consequências isso trará), mas sim no sentido de ir para uma época que chama muito a atenção. Particularmente, gostaria de ir para os anos em que grandes clássicos foram lançados. Seria fascinante ter a oportunidade de ver filmes como O Poderoso Chefão quando começaram a causar seu impacto. E é claro que eu aproveitaria para tentar conquistar o coração de Audrey Hepburn, mas isso é assunto para outra hora.
Enfim, pensando nesse conceito tão utilizado no cinema, achei que seria apropriado dedicar o espaço de Personagens Marcantes deste mês para duas figuras que fazem muitos cinéfilos felizes até hoje. Personagens que fizeram fama graças às grandes aventuras em que se metiam viajando no tempo em seu belo DeLorean. De Volta Para o Futuro é uma das maiores trilogias do cinema e seus protagonistas, Marty McFly e Dr. Emmet Brown, são dois grandes personagens.
Imortalizados por Michael J. Fox e Christopher Lloyd, Marty e Doc Brown conquistam o espectador logo no primeiro segundo que aparecem em cena. O primeiro com todo o seu jeito cool e o segundo com sua divertida excentricidade (“Great Scott!”), e seus intérpretes ainda são muito carismáticos, além de exibirem uma química em cena absolutamente maravilhosa. Isso é até colocado à prova no começo do primeiro filme, quando Doc Brown é morto com cerca de dez minutos e rapidamente já é possível sentir sua falta. Então, é um alívio quando Marty volta no tempo (para 1955) e encontra a versão mais jovem de seu amigo.
Os roteiros que o diretor Robert Zemeckis escreveu em parceria com Bob Gale sempre conseguiram colocar os dois personagens em situações divertidas, inusitadas e empolgantes, desenvolvendo tudo com inteligência. Não é todo dia que vemos uma mãe se apaixonar pelo seu futuro filho, como acontece no primeiro filme da trilogia. Aliás, com relação às tramas, é surpreendente o quanto elas podem ser complexas. No segundo filme, por exemplo, Marty tem que viajar no tempo diversas vezes para impedir que o presente vire um inferno graças ao vilão, Biff Tanen (Thomas F. Wilson).
Além de funcionarem muito bem quando estão juntos, Marty e Doc conseguem segurar os filmes quando estão sozinhos também. Durante boa parte de De Volta para o Futuro 3 (que, aliás, faz uma belíssima homenagem aos westerns), Marty fica sozinho no velho-oeste, procurando Doc e entrando em confusões com Mad Dog Tannen, um antepassado de Biff. No mesmo filme ainda vemos o roteiro dedicar boa parte da história para desenvolver o simpático romance entre Doc Brown e Clara Clayton (interpretada por Mary Steenburgen), que não atrapalha em nada a trama e ainda resulta em um belo final para o personagem.
Michael J. Fox e Christopher Lloyd são dois atores talentosíssimos e parecem ter nascido para dar vida a Marty e Doc Brown. Assistindo aos três filmes, é praticamente impossível imaginar outros atores interpretando esses personagens (Eric Stoltz chegou a gravar algumas cenas como Marty, mas foi substituído por Fox depois). Robert Zemeckis e Bob Gale criaram duas figuras sensacionais, e é sempre um prazer entrar nas aventuras de De Volta Para o Futuro ao lado deles.

sábado, 4 de agosto de 2012

O Que Esperar Quando Você Está Esperando / Bel Ami: O Sedutor

Não pude escrever críticas mais completas de dois filmes que estreiam essa semana, mas para não deixar passar em branco fiz comentários mais breves sobre eles. Os filmes são a comédia O Que Esperar Quando Você Está Esperando e o drama Bel Ami: O Sedutor.
O Que Esperar Quando Você Está Esperando
Baseado na série de livros de autoajuda escritos por Heidi Murkoff, O Que Esperar Quando Você Está Esperando segue cinco casais que estão passando pelo momento importante de acrescentar mais um membro a sua família. São várias situações, desde uma gravidez inesperada até adoção, que mostram que este período pode ser mágico ou infernal.
Devo dizer que ainda sou jovem para saber como é ser um pai, mas tenho alguma ideia por ter visto bebês nascerem na minha família, além eu mesmo já ter sido uma criança, obviamente. O que vejo é que por mais exaustivo que seja ter e cuidar de um bebê, no final tudo vale a pena por que os pais terão em mãos um ser humano que amarão pelo resto de suas vidas. E é exatamente por tentar passar essa mensagem que O Que Esperar Quando Você Está Esperando acaba incomodando bastante.
Afinal, é uma mensagem muito óbvia. Ao longo do filme, vemos os casais ficarem inseguros e acharem que não vão conseguir aguentar todo o período de nove meses ou ser bons pais. O roteiro ainda mostra um grupo de personagens que aparentam não gostar de ter que cuidar dos filhos, já que isso fez eles perderem um pouco de suas próprias vidas. Essa infelicidade e sofrimento que mães e pais têm é tão martelada pelo roteiro que acaba deixando a história previsível demais, já que é lógico que todos ficarão felizes mais tarde.
As cenas cômicas exploram o máximo que podem da gravidez das personagens (principalmente a de Wendy, interpretada por Elizabeth Banks), além de fazer algumas tiradas envolvendo o grupo de pais, o trabalho de Jules (personagem de Cameron Diaz) e até o detalhe de Dennis Quaid interpretar o pai de Ben Falcone, já que a diferença de idade entre os dois atores não parece ser muito grande. Mas o roteiro não acerta muitas vezes e poucos membros do elenco demonstram ter timing cômico, o que torna o filme entediante em alguns momentos.
No fim, O Que Esperar Quando Você Está Esperando é apenas mais uma comédia sem graça que acaba sendo esquecida assim que as luzes da sala se acendem.
Cotação:
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Bel Ami: O Sedutor
Baseado no livro de Guy de Maupassant, Bel Ami: O Sedutor se passa no final o século XIX e acompanha Georges Duroy (Robert Pattinson), um soldado que acaba de voltar da guerra. Sem dinheiro nem para ter um lar mais organizado ou roupas decentes, ele vai a Paris tentar melhorar sua situação, e com seu jeito sedutor conquista algumas das mulheres mais ricas da cidade.
Como é esperado em qualquer filme de época, Bel Ami conta com uma parte técnica competente. A direção de arte e os figurinos reconstroem bem a Paris de 1890. Além disso, os diretores Declan Donnellan e Nick Ormerod (dois estreantes em longas-metragens) conseguem deixar clara a precariedade da vida de Georges ao fazer da casa dele um local pequeno, bastante bagunçado e com paredes mofadas, e a fotografia de Stefano Falivene ainda acerta ao investir em cores frias e escuras nessa parte do filme. São elementos que criam um contraste interessante a partir do momento em que o protagonista passa a frequentar a alta sociedade, onde tudo é muito mais elegante.
Mas se tecnicamente o filme consegue chamar a atenção, o mesmo não pode ser dito quanto ao resto. O roteiro escrito por Rachel Bennett em nenhum momento consegue transformar Georges em uma figura sedutora, e Robert Pattinson também não ajuda muito nisso. Aparecendo em cena sempre inexpressivo e fazendo suas caras de dor de barriga (tão vistas em Crepúsculo) até para pedir uma simples cerveja, Pattinson não consegue transformar Georges em uma figura interessante. Em sua cena mais importante (quando Georges se vê enganado por várias pessoas em sua volta, descontando sua raiva em tudo o que vê pela frente), o ator se entrega um pouco ao overacting, não causando o impacto que deveria causar.
Já algumas personagens femininas se tornam caricaturas ao longo do filme. Madeleine Forestier e Virginie Rousset (interpretadas por Uma Thurman e Kristin Scott Thomas, respectivamente) não caem de amores por Georges logo à primeira vista, como acontece com Clotilde de Marelle (Christina Ricci). No entanto, quando elas finalmente se rendem aos encantos do protagonista, isso acontece sem muita naturalidade, fazendo elas se apaixonarem por ele muito repentinamente. Aliás, a obsessão que toma conta de Virginie acaba se tornando involuntariamente risível em alguns momentos.
Dirigido com um ritmo bastante irregular por Donnellan e Ormerod, Bel Ami não é nenhum pouco envolvente, além de desinteressante do início ao fim. Talvez Pattinson tenha melhor sorte em Cosmópolis. Se Walter Salles tirou uma boa atuação de Kristen Stewart, David Cronenberg pode fazer o mesmo com o rapaz.
Cotação: