terça-feira, 6 de setembro de 2011

Por onde anda Jean-Claude Van Damme?

Durante praticamente toda a minha infância eu adorava filmes de artes marciais. Assistia aos mais diversos filmes do tipo, desde produções hollywoodianas até asiáticas. Ás vezes, meus pais precisavam me segurar para que eu não desse uma cambalhota e acabasse saindo pela janela. Como bom fã desse tipo de filme, eu tinha um ídolo: Jean-Claude Van Damme.
Dos cinco aos dez anos, eu assistia O Grande Dragão Branco, O Alvo, Duplo Impacto, Risco Máximo, Desafio Mortal (primeiro filme que ele dirigiu), Street Fighter: A Batalha Final e tantas outras produções estreladas por ele que passavam toda hora na televisão. Ver o astro dar seu famoso chute de 360º era o máximo. Na verdade, ainda vejo/revejo alguns filmes dele, mas não com a mesma frequência e, muito menos, com a mesma consciência (Duplo Impacto, por exemplo, é um filme que hoje eu acho chatíssimo).
Acho uma pena que hoje em dia meu ídolo de infância esteja sumido. Seus filmes não fazem o mesmo sucesso de antigamente, sendo que vários deles são lançados direto para o mercado de DVDs. Mas Van Damme continua sendo muito respeitado. Prova disso é o convite que ele recebeu para dublar Mestre Croc em Kung Fu Panda 2 (tenho curiosidade para ver o filme legendado e conferir como ele se saiu) e também a insistência de Sylvester Stallone e companhia em querer tê-lo na continuação Os Mercenários 2 (parece que ele finalmente aceitou o convite, mas não há nada confirmado).
Recentemente, Van Damme começou a produzir um reality show sobre sua vida (aqui no Brasil, o programa é transmitido pelo canal A&E). O que se vê em Jean Claude Van Damme: Behind Closed Doors é um homem respeitado por todos a sua volta e consciente de que muitas coisas que fez no passado o prejudicaram muito (seus problemas com cocaína, por exemplo). O grande problema desse reality show é o fato de parecer muito encenado, como a maioria dos programas desse tipo. Por isso, é difícil de acreditar em algumas palavras que são ditas, mesmo que elas sejam verdadeiras.
Apesar de não gostar de seus filmes do mesmo jeito que antes, vou sempre me considerar um fã de Jean-Claude Van Damme. E se ele realmente aparecer em Os Mercenários 2, será um prazer finalmente poder ver o astro na tela grande.

domingo, 4 de setembro de 2011

O Homem do Futuro

Voltar ao passado é algo que eu consideraria fazer para tentar mudar alguns detalhes (particularmente, gostaria de ter participado mais ativamente da minha turma do colégio, por exemplo). Viagem no tempo é algo visto em muitos filmes hollywoodianos. Quando se ouve falar nesse assunto, a primeira coisa que vem a cabeça de qualquer um é a genial trilogia De Volta Para o Futuro, mas há também Planeta dos Macacos, Efeito Borboleta, O Exterminador do Futuro. A maioria desses filmes trabalha com o conceito de que mudar o passado pode trazer grandes (e terríveis) mudanças ao futuro. É uma fórmula “batida”? Com certeza, mas isso não muda o fato de ser algo interessante desde que a história seja de boa qualidade. E é aí que O Homem do Futuro ganha créditos, além de contar com o talento de seu protagonista, Wagner Moura.
Escrito e dirigido por Claudio Torres, O Homem do Futuro nos apresenta a João (Wagner Moura), um cientista que foi humilhado na época da faculdade pela então namorada Helena (Alinne Moraes), algo que o fez ter uma vida miserável. Durante o teste de um acelerador de partículas, João acaba voltando no tempo, mais especificamente para 22 de novembro de 1991, dia em que a humilhação aconteceu. Ele, então, tem a oportunidade de mudar o passado e ficar com a mulher de sua vida.
Por tratar de viagem no tempo, Claudio Torres precisava ter um cuidado muito grande com os principais detalhes da trama, por que se algo fosse esquecido teríamos furos no roteiro. Mas o diretor-roteirista é competente nesse aspecto, não deixando nenhuma ponta solta ao longo do filme (e se deixou, pelo menos conseguiu nos distrair para que não percebêssemos). E um dos pontos altos do modo como esse conceito é usado no filme é o fato de João voltar no tempo e poder ver o que sua versão mais jovem está fazendo. Isso se destaca no terceiro ato, quando a última versão do personagem volta no tempo e percebe que o que fez naquele dia foi algo que não era de sua personalidade, e por isso ele deveria ter orgulho, já que foi uma das poucas vezes em que realmente se soltou de seu “campo de força”.
Podemos ver O Homem do Futuro não só como uma ficção científica, mas também como uma comédia romântica, ou seja, o filme segue duas fórmulas básicas. Mas, com relação ao segundo gênero, acaba sendo muito interessante ver o protagonista passar pelos obstáculos para tentar ficar com a mulher que ama. E não são poucos os problemas que aparecem no caminho de João, incluindo outra viagem no tempo no final do segundo ato.
Claudio Torres conduz bem o filme, não deixando o espectador confuso com as viagens do protagonista. Mas em certos momentos, Torres estica a história mais do que deveria, incluindo momentos que nós já sabemos que vão acontecer e por isso não precisavam entrar no filme, algo que fica claro na segunda viagem no tempo, onde vemos de novo os acontecimentos do dia da humilhação. Além disso, o diretor-roteirista faz um suspense desnecessário em algumas cenas, como quando João vai cantar no palco com Helena.
Por outro lado, Torres consegue surpreender com algumas reviravoltas na trama e também com o modo como ele faz o protagonista perceber, ao voltar para 1991, que não está no seu tempo. Quando João acorda caído na rua, ele olha para as roupas das pessoas e também para os vários aparelhos da época, como celulares e televisões, todos em seu formato antigo. Isso acaba sendo muito divertido por que faz o público de hoje olhar para o passado com o seguinte pensamento: “Não acredito que algum dia isso existiu!”. A escolha das canções da trilha sonora (que incluí Tempo Perdido, do Legião Urbana) também é muito boa, por que elas combinam com a história do filme.
Mas O Homem do Futuro não se sustentaria caso não tivesse um ator tão talentoso interpretando o protagonista. Wagner Moura dá um show interpretando três versões diferentes do personagem. A primeira é mais excêntrica, nos fazendo ver as consequências da humilhação. Depois temos a versão de 1991, quando João era jovem, tímido, gago e inseguro (e é impressionante como Moura consegue, aos 35 anos, convencer como alguém de 20). E a última é a que volta para um 2011 diferente depois da primeira viagem no tempo, uma versão mais determinada e segura sobre aquilo que precisa fazer para deixar tudo normal novamente. Enquanto isso, Alinne Moraes conquista o público interpretando uma personagem que fica cada vez mais adorável à medida que a conhecemos, já que o amor que Helena sente por João mostra ser real.
O Homem do Futuro é uma grata surpresa para o nosso cinema em 2011, que, depois de Assalto ao Banco Central, necessitava de um filme interessante.
Cotação:

sábado, 3 de setembro de 2011

Belo discurso sobre integridade artística

Ontem enquanto visitava o Diário de Bordo, blog do Pablo Villaça (crítico de cinema pelo qual tenho uma admiração muito grande, como já declarei várias vezes), uma postagem me chamou muito a atenção.
Isso porque se trata de um belíssimo discurso feito por um famoso cineasta há 23 anos atrás. Mas este cineasta parece ter esquecido que fez esta declaração, como pode ser visto em acontecimentos (ou seriam mudanças?) recentes.
Quem é ele? Leia o discurso no Diário de Bordo (e não pule direto para o final):
http://www.cinemaemcena.com.br/pv/BlogPablo/post/2011/09/02/Belo-discurso-sobre-integridade-artistica.aspx

domingo, 28 de agosto de 2011

Planeta dos Macacos: A Origem

Em 1968, O Planeta dos Macacos, dirigido por Franklin J. Schaffner, foi lançado e inovou os conceitos de maquiagem, além de iniciar uma famosa franquia. De lá para cá, tivemos quatro sequências e duas refilmagens, a primeira é a esquecível produção dirigida por Tim Burton e a segunda é este Planeta dos Macacos: A Origem (refilmagem de A Conquista do Planeta dos Macacos, quarto filme da série). E esta nova produção consegue ser quase tão boa quanto àquela que originou toda a franquia.
Escrito por Rick Jaffa e Amanda Silver, Planeta dos Macacos: A Origem mostra o que o próprio título em português apresenta: como os macacos conseguiram dominar a raça humana. Nisso, somos apresentados a Will Rodman (James Franco), um cientista que está tentando encontrar a cura para o Mal de Alzheimer, doença que faz seu pai, Charles (John Lithgow), sofrer bastante. Depois da morte da chimpanzé na qual os testes com a cura eram feitos, o filhote dela é acolhido por Will, que o chama de Caesar e se surpreende com o fato de o bichinho ter herdado os genes da cura, sendo muito esperto. Depois de uma confusão com o vizinho, Will coloca Caesar em um abrigo para macacos. Mas os donos do lugar maltratam os animais, o que faz Caesar começar uma rebelião.
A direção de Rupert Wyatt é inspiradíssima. Ele se destaca por seus belos planos gerais e também por conseguir mostrar muito bem a evolução de Caesar, algo que chega ao seu ápice quando o chimpanzé escala uma árvore e o diretor o mostra crescendo através de belas elipses. E o diretor ainda acerta ao colocar macacos digitais (interpretados por atores através do motion capture) ao invés de atores maquiados, já que seria difícil para o intérprete fazer todos os movimentos dos animais com a maquiagem.
Vale dizer que o roteiro traz várias referências a série original, desde nomes (um orangotango chamado Maurice, referência ao ator Maurice Evans que interpretou Dr. Zaius, um orangotango, nos primeiros filmes da franquia), passando por uma notícia de jornal intitulada “Perdidos no Espaço” (referência a George Taylor e seus companheiros), e chegando finalmente aos diálogos (“Isso é um hospício! Isso é um hospício!” e “Tire suas mãos de mim seu macaco imundo”). Referências como essas enriquecem bastante o filme e nunca aparecem forçadamente.
Com relação à própria história que Planeta dos Macacos: A Origem tem a contar, o roteiro consegue deixar bem claras as motivações dos personagens. A mãe de Caesar morreu tentando protegê-lo, e este mesmo instinto de proteção é algo que ele também mostra durante todo filme. Caesar vê o que os humanos são capazes de fazer com sua espécie e resolve dar um basta nisso. São os humanos que causam a rebelião dos macacos, além de terem criado a droga que faz dos animais seres mais inteligentes. Isso segue o que era dito em outros filmes da franquia, de que o homem “fará de sua casa um deserto”, ele é “um mensageiro da morte”. Há ainda uma bela ironia, já que o filme começa com humanos correndo atrás dos macacos e mais tarde vemos os macacos correndo atrás dos humanos. O roteiro falha apenas por incluir uma doença que certamente deveria ter um impacto nas histórias seguintes (leia-se: nos primeiros filmes da franquia) mas que não é muito explorada ou explicada.
Os efeitos visuais são, certamente, um dos pontos mais admiráveis do filme (e só não serão indicados ao Oscar caso os membros da Academia durmam durante a sessão). Usando a tecnologia do motion capture, os efeitos tornam os macacos muito convincentes, objetivo que não seria alcançado sem os atores que interpretam os animais, principalmente Andy Serkis (também conhecido como Gollum e King Kong) que interpreta Caesar. Os olhares, as expressões e os movimentos do ator fazem do personagem um ser fascinante, e Serkis já merecia um prêmio só por interpretar um macaco tão bem pela segunda vez (o vídeo abaixo mostra sua grande atuação).
James Franco, apesar de ser ofuscado pela grande atuação de Serkis, consegue se destacar interpretando um personagem que representa o lado bom da humanidade. Determinado a curar seu pai e livrá-lo de um grande sofrimento, Will Rodman se esforça ao máximo para alcançar seu objetivo e só faz os testes com a droga quando está seguro de que ela pode dar certo. John Lithgow também deixa suas marcas, conseguindo transmitir a dor de Charles Rodman. Em certo momento, ele é lembrado por Will de que não dirige mais, algo que Charles responde com um “Eu sei”, mas a expressão de surpresa em seu rosto mostra a gravidade de sua situação. Enquanto isso, Tom “Draco Malfoy” Felton consegue fazer de seu Dodge Landon (olha outras referências aí) um bom vilão, sendo um belo contraste com relação ao personagem de James Franco (esperemos que Felton não se torne um novo Mark Strong, aceitando fazer papéis de pessoas boas de vez em quando). E a bela Freida Pinto, de Quem Quer Ser Um Milionário?, vira uma coadjuvante de luxo, sendo apenas o par romântico de Franco.
Finalizado por Wyatt com mais um plano sensacional (que mostra o que Caesar realmente se tornou ao final do filme), Planeta dos Macacos: A Origem deixaria Charlton Heston e companhia orgulhosos. É bom ver que uma história iniciada há 43 anos ainda pode render um ótimo filme.
Obs.: Há uma cena durante os créditos finais.
Cotação:

domingo, 21 de agosto de 2011

Quarto 666

Há dois anos, assisti o documentário Quarto 666 (Chambre 666), dirigido por Wim Wenders. Durante o festival de Cannes de 1982, o cineasta alemão pediu para alguns diretores irem ao quarto 666 de um hotel em Cannes e responderem a uma lista de perguntas sobre o futuro do cinema.
Entre os diretores que aceitaram a proposta de Wenders estão Jean-Luc Godard, Rainer Werner Fassbinder, Werner Herzog, Ana Carolina, Steven Spielberg e Michelangelo Antonioni. O próprio Wim Wenders também dá seu depoimento.
É interessante notar que várias previsões se tornaram realidade. Spielberg diz que um filme como Tubarão, que na época custou 8 milhões de dólares, poderia custar 27 milhões em 1982. E E.T.: O Extraterrestre, que custou 10 milhões, poderia custar 18 milhões dali cinco anos. Os filmes se expandiram exatamente como Spielberg afirma em seu depoimento. Outra previsão interessante é a de Werner Herzog. Ele diz que não vai demorar muito até o dia em que poderemos fazer tudo via computador, até mesmo comprar nossas refeições.
Quarto 666 é um documentário que vale a pena assistir para poder comparar o presente com o passado. Coloquei logo abaixo os vídeos com os depoimentos de Spielberg, Fassbinder e Herzog. Infelizmente não encontrei nenhum com legendas em português.

sábado, 20 de agosto de 2011

Lanterna Verde

Os quadrinhos da DC Comics nunca me atraíram muito. Sendo fã da rival, Marvel Comics, sempre que vou a banca de revistas acabo favorecendo Homem-Aranha e companhia, deixando de lado Batman e outros (curiosamente, dois de meus filmes favoritos são baseados nos quadrinhos do homem-morcego). Portanto, quando os filmes baseados nos quadrinhos da DC estreiam, vou para o cinema com um conhecimento mínimo sobre o material original (para não dizer nenhum), o que é muito bom porque dá a oportunidade de ser surpreendido pelo que o filme tem a oferecer. E foi isso que aconteceu com Lanterna Verde.
Escrito a oito mãos por Greg Berlanti, Michael Green, Marc Guggenheim e Michael Goldenberg, Lanterna Verde mostra que o universo é protegido por um grande exército chamado de Tropa dos Lanternas Verdes. Um de seus maiores guerreiros, Abin Sur (Temuera Morrison), consegue prender no Planeta Ryut uma entidade chamada Parallax, que se alimenta do medo de seus adversários. Mas Parallax escapa e vai atrás de Abin Sur, ferindo-o gravemente. Vendo que está próximo de morrer, o guerreiro vai ao planeta mais próximo para que seu anel possa selecionar um ser destemido para se tornar um novo Lanterna Verde. Ele vem para a Terra, e o escolhido para assumir a responsabilidade é Hal Jordan (Ryan Reynolds), um piloto de testes que parece não possuir as características essenciais de um Lanterna Verde.
O roteiro habilmente consegue desenvolver o herói e o vilão (Hector Hammond, interpretado por Peter Sarsgaard) ao mesmo tempo. Enquanto Hal é escolhido pelo anel, Hammond é chamado para olhar o corpo de Abin Sur. Os roteiristas não perdem tempo, apresentando tudo de maneira rápida e eficiente. Eles ainda conseguem apresentar muito bem o universo das histórias em quadrinhos (e sendo eu um fã de The Big Bang Theory, finalmente entendi o que os personagens querem dizer em alguns episódios).
Dirigido por Martin Campbell, um cineasta que tem altos (007 Contra Goldeneye, 007: Cassino Royale) e baixos (A Lenda do Zorro, O Fim da Escuridão) na carreira, Lanterna Verde conta com grandiosas cenas de ação, que nunca caem na burocracia graças a combinação do anel com a imaginação de Hal Jordan, algo que resulta nos mais diversos modos de lutar, seja usando espadas ou uma metralhadora. Campbell merece créditos por conseguir coordenar todas essas cenas muito bem, empolgando com cada arma e estratégia concebidas pelo protagonista.
O design de produção merece aplausos pelo brilhante trabalho feito na construção do Planeta Oa, lugar onde a Tropa dos Lanternas Verdes reside. A equipe de maquiagem também faz um ótimo trabalho ao deixar Peter Sarsgaard, Temuera Morrison e Mark Strong quase irreconhecíveis. Os efeitos especiais são um show à parte, fazendo até a roupa de Hal Jordan parecer real. E a boa trilha sonora de James Newton Howard embala muito bem o filme.
Interpretado com carisma pelo eficiente Ryan Reynolds, Hal Jordan mostra ser irresponsável logo em sua primeira cena, quando se atrasa para os testes de um avião. Apesar disso, ele é uma pessoa boa, algo que fica claro no relacionamento dele com Carol Ferris (a bela Blake Lively), que se desenvolve ao longo do filme. O roteiro ainda tenta fazer dele o “tio legal” ao incluir uma cena em que o protagonista vai ao aniversário de seu sobrinho, mas como essa parte não é muito explorada, parece um recurso usado apenas para mostrar que Hal não é uma pessoa sozinha no mundo.
Blake Lively, atriz que me surpreendeu muito no ótimo Atração Perigosa, traz força a Carol Ferris, personagem que consegue fazer Hal perceber as bobagens que faz. Peter Sarsgaard consegue ser ameaçador com seu Hector Hammond, um vilão formado pela própria sociedade que o oprime, sendo ele uma vergonha para todos a sua volta, inclusive seu pai (Tim Robbins). É uma pena, no entanto, que o roteiro tente incluir o velho clichê do triângulo amoroso entre o herói, o vilão e a mocinha, algo que enfraquece um pouco as motivações de Hammond (e sua despedida é igualmente fraca). E Mark Strong como Sinestro faz com que o público fique sempre com um pé atrás com relação ao personagem, já que o currículo do ator é repleto de vilões. Seria Sinestro mais um antagonista em sua carreira?
Depois do sucesso dos dois filmes do Batman dirigidos por Christopher Nolan e do ótimo Watchmen, estava na hora de a DC Comics aparecer com outra boa adaptação de suas histórias. Espero que a fraca bilheteria não influencie os produtores na hora de decidir se vão seguir em frente com uma continuação, já que o universo de Lanterna Verde é muito interessante e parece ter mais elementos para explorar.
Obs.: Há uma cena durante os créditos finais.
Cotação:

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Melancolia

(A crítica a seguir aborda pontos importantes de Melancolia. Portanto, recomendo que assista ao filme antes de ler o texto.)
Duas horas. Esse foi o tempo que levei para “sair” psicologicamente de Melancolia, novo trabalho do polêmico cineasta Lars von Trier. Isso porque o filme é carregado de imagens impactantes e faz refletir tanto que, ao final da sessão, eu me vi de boca aberta (e foi dificílimo levantar da cadeira do cinema).
Melancolia começa com um prólogo formado por belíssimas imagens em super câmera lenta, onde von Trier nos informa que existe um planeta, chamado melancolia, que está em rota de colisão com a Terra. Depois, o diretor divide o filme em duas partes. A primeira é intitulada Justine, nome da personagem de Kirsten Dunst, e mostra o casamento dela com Michael (Alexander Skarsgård) e o início de sua depressão. A segunda parte é intitulada Claire, nome da irmã de Justine interpretada por Charlotte Gainsbourg, e mostra o Melancolia se aproximando da Terra.
O fato de von Trier dividir o filme em duas partes é interessante porque cada uma tem um tom diferente. A primeira é mais leve, apesar dos conflitos que aparecem. Já a segunda é mais próxima de um filme catástrofe. E a belíssima fotografia de Manuel Alberto Claro ajuda muito nessa diferenciação, sendo mais natural no início para depois mudar para algo mais claro e sufocante. É como se o diretor dedicasse toda a primeira parte afim de nos preparar para o que está por vir.
Outro ponto interessante do filme é o fato de Lars von Trier chamar Kiefer Sutherland para interpretar John, marido de Claire e admirador da astrologia. Com isso, o diretor pode estar querendo dizer que se Jack Bauer não pode salvar o mundo, então ninguém pode. E John falar “inacreditável” várias vezes ao longo do filme reflete seu pensamento, já que ele não acredita que o Melancolia irá colidir com a Terra.
Mas, afinal, sobre o que Melancolia se trata? É sobre a depressão de Justine ou é sobre o fim do mundo? Para mim, tudo pode ser definido pela palavra que dá nome ao filme. Justine sofre de melancolia, e isso a deixa em um estado muito debilitado (e Kirsten Dunst mostra isso de maneira excepcional, sendo uma forte candidata ao Oscar). Para uma pessoa nesse estado, nada pode fazê-la mudar de humor (em certo momento, Claire faz a comida favorita de Justine, mas não adianta nada), sendo a morte a melhor alternativa para acabar com o sofrimento.
Se prestarmos atenção em Justine, depois de entrar em depressão, ela só volta a andar e a falar mais normalmente depois de se deitar sob a luz do Melancolia. Isso marca o momento em que ela percebe que o fim está próximo, então não há mais com o que se preocupar. Quando o Melancolia finalmente colide com a Terra, Lars von Trier está fazendo uma metáfora sobre o que acontece com uma pessoa em um estado tão grave de depressão.
Melancolia é um filme muito bem-vindo, já que proporciona discussões e pontos de vista muito interessantes. É cedo ainda, mas acho que Lars von Trier encaminhou muito bem seu filme para o status de obra-prima.
Cotação: